Cidades
Educação indígena está sucateada
Nas comunidades da tribo Wassu, há quatro escolas, onde estão matriculados cerca de 500 estudantes na faixa etária dos 4 aos 20 anos de idade. Cada uma tem, em média, cinco computadores. Mas, há cinco anos, as máquinas permanecem na caixa porque a rede de internet não funciona e a maioria dos equipamentos está ultrapassada. A situação deixa indignado o estudante Raí Jerí da Silva, de 12 anos, matriculado no sexto ano. ?A gente está deixando de aprender. O que adianta ter os computadores se eles não funcionam? Se eu pudesse fazer um pedido de Natal, gostaria de ganhar de presente os computadores na sala de aula funcionando?, apela Raí. O pedido do estudante emocionou a diretora de uma das escolas, onde estudam 353 alunos. A professora Eleuza Juvita mostrou as condições das salas de aula com cadeiras velhas, duas delas sem ventilação, cobertas com telhas de amianto. A escola sofre com vandalismo porque não tem muro. Também não tem área para a prática de esporte. O esgoto corre ao ar livre, a infraestrutura é precária. Os índios têm medo de denunciar os traficantes que vendem drogas ou tentam aliciar os adolescentes. A gestora de uma das escolas, professora Gilvânia da Silva, reclamou que gostaria de colocar para funcionar sete computadores que tem para atender 100 crianças. ?A gente poderia usar o computador para tentar resgatar a nossa língua do tronco macro-jê, as histórias do nosso povo, dos nossos símbolos. Infelizmente, nunca ligaram os computadores?. Os professores fizeram um apelo ao governador Renan Filho (PMDB). ?O governador de Alagoas tem um olhar diferente para a educação pública. A nossa parte pedagógica, mesmo sem o computador, está funcionando. A gente precisa melhorar a nossa infraestrutura. A nossa esperança é o governador de Alagoas?, disse a professora Maria Onório da Silva.