Cidades
Índios atacam caminhoneiros e saqueiam cargas na BR-101
No trecho da BR-101, entre os municípios alagoanos de Joaquim Gomes e Novo Lino, na divisa com o estado de Pernambuco, a maioria dos caminhoneiros trafega em comboio. Ao chegarem perto das curvas próximas à aldeia Cocal, onde vivem os índios Wassu, os motoristas sabem que precisam redobrar a atenção para escapar dos ataques de supostos indígenas da região. Os ataques ocorrem nos finais de tarde ou no período da noite. Os saqueadores jogam pedras nos para-brisas dos caminhões para obrigar os motoristas a pararem ou fazerem manobras bruscas. Alguns veículos pesados tombam. Daí, em questões de segundos, aparecem os saqueadores, que levam o que podem e fogem em direção à comunidade dos Wassu. As lideranças Wassus afirmam que a principal rodovia que liga o Nordeste às outras regiões do País tem gerado diversos problemas. Os jovens da tribo, por falta de opção e de políticas da Fundação Nacional do Índio (Funai), se envolvem com tráfico de drogas, prostituição e outros crimes, confirmam o cacique Itapejara, o pajé Nonôindi-Neamantiri e a maioria das lideranças daquela tribo. Problemas semelhantes ocorrem em tribos que ficam próximas ou nas margens da rodovia: Kariri-Xocó, no município de Porto Real do Colégio, na margem esquerda do Rio São Francisco e na divisa com o estado de Sergipe, e Karapotó, na zona rural de São Sebastião. Porém, a situação é mais grave na aldeia Cocal. Os 2.500 índios vivem numa reserva de 2,7 mil hectares. Desde os anos 1970, lutam para recuperar uma área que, segundo eles, chega a 57 mil hectares. Nessa luta já morreram vários índios, inclusive um cacique: Ibis Menino de Freitas, no final dos anos 80, morto numa emboscada. Recentes estudos técnicos e antropológicos elaborados pela Funai geraram um processo de demarcação de 12 mil hectares. O processo foi contestado pelos advogados de fazendeiros e posseiros da região. Hoje a questão está judicializada e parada em Brasília. Não há data e nem previsão para o julgamento final dela.