Cidades
Pesca predatória põe espécies em risco
Entre os crustáceos que andavam desaparecidos e reapareceram, o destaque é para o camarão. Tem sido encontrado em abundância em bancos localizados entre os municípios de Santa Luzia do Norte, Coqueiro Seco e Maceió, próximo à região dos bairros de Bebedouro e Rio Novo, em áreas de manguezais. O camarão barba-roxa tem garantido o sustento de dezenas de pescadores como Maxwel da Silva, de Santa Luzia do Norte. ?Enquanto não dá para retirar o sururu que está em fase de crescimento, estamos pescando camarão barba-roxa, o mandim (uma espécie de bagre pequeno), camorim e a carapeba?, disse o pescador. Outros pescadores de Santa Luzia, entre eles Cícero Roque e Josenildo Tibúrcio da Silva, andam preocupados com a pesca predatória que vai começar daqui para frente. ?A água doce da chuva na lagoa matou várias espécies. A lagoa ficou praticamente vazia. Agora, com a renovação da água salobra, o pescado voltou com força. Muita gente não vai ter paciência de esperar os animais crescerem. Se não houver a fiscalização do IMA (Instituto do Meio Ambiente), ocorrerá outro desastre, desta vez provocado pela pesca predatória?, alertou Josenildo. As regiões onde peixes, crustáceos, moluscos e mariscos reapareceram em quantidade surpreendente em Santa Luzia foram em croa grande, boca do sapo, barrenta e nas áreas de várzeas. As marisqueiras daqueles pontos querem evitar a frequência de embarcações nos ?bancos? de reprodução e de crescimento natural de sururu. ?Se ficarem pisoteando os bancos, vão matar os animais, e aí o prejuízo será maior?, disse a marisqueira Regina dos Santos, que cobra a fiscalização do IMA e o trabalho de saneamento das prefeituras para evitar o despejo de esgoto in natura na lagoa.