Cidades
Retirada em alta escala e baixa salinidade afetam reprodução
Depois das chuvas prolongadas, que reduziram a salinidade da Lagoa Mundaú e provocaram o desaparecimento de diversas espécies, entre elas o sururu, a natureza vai recompondo a vida lagunar. O movimento das marés altas de lua e o vento Nordeste contribuíram bastante. A água voltou a ficar salobra, clara, e o vento forte das últimas semanas arrasta o lixo para as margens. Os biólogos e pesquisadores da Ufal e do IMA comemoram as condições climáticas favoráveis. Mas revelam que a degradação é grande. Lembram que a região está abastante assoreada por causa do desmatamento ao longo da calha do Rio Mundaú e do entorno da lagoa que banha os municípios de Maceió, Satuba, Coqueiro Seco e Santa Luzia do Norte. Eles também querem fiscalização e conscientização da população em defesa do sururu e das outras espécies ameaçadas pela pesca predatória. A Mundaú, na verdade, é um complexo lagunar. O termo ?laguna? refere-se a uma depressão formada por água salobra ou salgada, localizada às margens do litoral e que se comunica com o mar por canal. As lagunas se formam em estuários oceânicos de rios e pela interação do vento e das ondas que geram barras de sedimentos. São berçários naturais de peixes, crustáceos, mariscos, moluscos e outros animais que dependem dos manguezais do entorno. A Laguna Mundaú cumpre bem esse papel, apesar do bombardeio que recebe, diariamente, dos esgotos urbanos. Um estudo do IMA confirma que as chuvas registradas a partir de maio fizeram o sururu sumir no complexo lagunar. Porém, isso não significa que o molusco morreu ou vai desaparecer totalmente, tranquilizou o biólogo do instituto, Juliano Maurício Fritscher. ?Com a falta de água salgada, o molusco parou de reproduzir. Como não houve a suspensão da pesca e da retirada, a população fixa foi diminuindo?, explicou o biólogo.