Cidades
A alegria voltou à Lagoa Mundaú
O sururu não morreu. Pelo contrário, reapareceu, em abundância, na Lagoa Mundaú. Quem garante é a maioria dos 20 mil pescadores e marisqueiras que dependem do molusco para sobreviver. Sem trabalhar há sete meses, eles achavam que o excesso de água doce da chuva e a poluição teriam matado um dos produtos mais importantes da cozinha tradicional alagoana e reconhecido como Patrimônio Imaterial do Estado. O pescador Marco Antônio da Silva Almeida, 41 de idade e 30 de profissão, casado e que há sete meses enfrenta dificuldade para sustentar a mulher e os quatro filhos menores de 12 anos, comemorou. ?A alegria voltou à Lagoa Mundaú. A gente imaginava que a chuva e a poluição das cidades tinham acabado com a nossa mãe (a lagoa). Mas ela ainda está viva. Os peixes também reapareceram, aos poucos?. Além de trabalhar com a pesca, Marco Antônio retira sururu. Mantém dois barcos no bairro da Levada. O porto dele fica a poucos metros da sede da Federação dos Pescadores de Alagoas. Os pescadores, marisqueiras e ajudantes de transporte do sururu com casca descobriram vários bancos repletos de molusco em fase de crescimento. A notícia se espalhou rapidamente entre os municípios de Maceió, Santa Luzia do Norte, Coqueiro Seco e Satuba. O molusco se prolifera em abundância e gera expectativa de reprodução em quantidade jamais percebida pela maioria das pessoas que sobrevivem da pesca no complexo lagunar. Desde maio, quando começou o período das chuvas fortes em Alagoas, os pescadores e marisqueiras enfrentam dificuldades por falta de condições de trabalho. O pescado, crustáceos, mariscos e moluscos desapareceram por conta do grande volume de água doce e da grande quantidade de esgoto despejada, impunemente, pelas cidades. Para tentar sustentar as famílias, as marisqueiras trabalham com carregamentos diários de sururu que importam do litoral da Bahia. Depois do beneficiamento (retirada da casca), elas revendem o produto a preço que chega a R$ 30 o quilo, ou seja, seis vezes mais caro. As pessoas imaginavam que o desequilíbrio climático, o assoreamento e a poluição tinham provocado desastre ambiental no complexo lagunar e achavam que as espécies não voltariam mais.