Cidades
Mudança na base curricular é criticada
Pesquisadores, estudiosos e ativistas da educação estão temerosos de que as mudanças feitas pelo Ministério da Educação (MEC) no texto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental tragam sérios prejuízos à sociedade. A BNCC é o documento que define o conteúdo que deve ser ensinado em todas as escolas do País. Na proposta de mudança que enviou ao Conselho Nacional de Educação, o ministério tirou do texto que vem sendo discutido há mais de dois anos questões relacionadas a gênero, orientação sexual e ensino religioso. ?O MEC decidiu empurrar com a barriga um problema que é bem atual, e que precisa ser debatido por toda a sociedade, a partir da escola?, disse a professora Edna Lopes, membro dos Conselhos Municipal (Maceió) e Estadual de Educação. Segundo ela, a proposta do MEC é extremamente conservadora e faz atrasar um debate necessário. Tendo participado da audiência pública sobre a BNCC realizada em Recife (PE), Edna Lopes avalia que, numa época de desrespeito às minorias, à diversidade e de inúmeros casos de estupro, tirar do documento que norteia o ensino conteúdos relacionados à orientação sexual e às religiões é colocar a sociedade em risco. A Base, diz, não quer lidar com polêmicas, mas não poderá fugir delas, já que os temas ignorados pelo MEC representam questões importantes como referência do que deve ser ensinado. ?Com essa atitude, o ministério está, por exemplo, deixando com a família a responsabilidade da educação sexual, quando boa parte delas não está preparada para isso?, afirma Maria Consuelo, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal).