Cidades
Na parte baixa da cidade, grupo adota revezamento
No estacionamento do Harmony, no bairro da Jatiúca, oito flanelinhas se revezam das 7h às 22h, todos os dias. O jovem Welington Félix dos Santos, de 22 anos, iniciou o trabalho no local para ajudar a mãe. ?Depois, eu saí de casa porque casei, larguei os estudos. Hoje, tenho dois filhos [de 3 anos e de 5 meses] e o meu dinheiro me ajuda a pagar o aluguel da minha casa, que fica na Grota do Rafael?, disse Wellington. Os flanelinhas, em sua maioria, têm histórias familiares conturbadas. Muitos deles convivem com a morte. ?Patrão! Eram 15 primos e dois irmãos, só sobrou (sic) quatro primos e eu. Meus dois irmãos foram assinados igual aos meus primos. Em menos de cinco anos, morreram todos!?, conta I.W.N.S., de 17 anos. Segundo o menor, graças ao trabalho como flanelinha, ele ainda está com vida. ?Meu irmão era um traficante considerado, eu comecei a fazer ?avião? [entrega de drogas] aos 8 anos de idade; aos 10, eu comecei a trabalhar na rua, melhor eu tá (sic) aqui na rua trabalhando do que tá fazendo vergonha à minha mãe em um presídio ou em uma delegacia. O mundo do crime, quando a pessoa tem sorte, vai para o Baldomero [Cavalcanti]. Quando não tem, vai pra debaixo de sete palmos (sic)?. * Sob supervisão da editoria de Cidade