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Alagoas tem 432 pessoas na fila à espera de órgãos

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A confraternização nos primeiros minutos de um ano novo vem sempre acompanhada pela renovação da esperança em realizar inúmeros sonhos e ser feliz. Para um grupo de cidadãos, em particular, essa esperança depende exclusivamente da solidariedade de estranhos que, ironicamente, estão vivendo um dos mais intensos momentos de dor. É a esperança de que uma família, num gesto altruísta e grandioso, autorize a doação de órgãos de um parente amado que faleceu. Hoje, 432 pessoas estão na fila de espera em Alagoas para receber coração (1 pessoa), rins (269) e córneas (162), os três tipos de transplantes realizados nas unidades credenciadas no Estado. Mas outras tantas aguardam a doação de um fígado, que os profissionais vinculados à Central de Transplantes de Alagoas captam, após a autorização da família, e direcionam a pacientes de outros estados. Apesar de o alagoano ser reconhecido pela grande receptividade e solidariedade, o índice de recusa das famílias para doação de órgãos é alto no Estado. Segundo a coordenadora da Central, Daniela Barbosa Ramos (foto), essa taxa chega a 71%, quase o dobro da média verificada em todo o País (43%). DESCONHECIMENTO O desconhecimento sobre o processo de doação de órgãos alimenta todos os motivos alegados pelas famílias para recusar a doação, sendo que o maior deles é o temor de que o corpo fique danificado, de que a retirada do órgão vá deformar o parente falecido. Daniela esclarece que isso não ocorre, pois a retirada dos órgãos é uma cirurgia eletiva, como qualquer cirurgia, realizada por médicos especialistas. Além disso, o respeito pelo corpo é uma norma. O segundo motivo é a família não conhecer a posição do ente querido, em vida, em relação à doação de órgãos. ?É muito importante que a gente traga o assunto sobre doação de órgãos para dentro de casa, para a nossa família, nossos amigos, filhos e demais parentes. É preciso deixar claro o desejo de ser doador, sensibilizar a família para a doação, porque ninguém sabe do dia de amanhã e podem acontecer, com qualquer pessoa, acidentes ou outras causas que levem à morte de forma repentina?, enfatiza Daniela Barbosa. A experiência dos profissionais que fazem a abordagem das famílias mostra que, quando ela [a família] tem conhecimento de que seu parente defendia a doação de órgãos, fica mais difícil não autorizar.

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