Cidades
Família diz que doação consola e diminui a dor
O coração do jovem Nilson José da Silva bate forte hoje no peito de alguém que estava na angustiante fila de espera por doação. Aos 22 anos, recém--completados, Nilson sofreu um acidente com a moto que pilotava a caminho de sua casa, no povoado da Usina Taquara, no município de Colônia Leopoldina, em Alagoas. O traumatismo craniano foi muito grave e provocou a morte encefálica. Vindo de uma família grande, com nove irmãos, e criado sem o pai, que faleceu quando ainda era pequeno, o jovem Nilson largou os estudos para trabalhar e ajudar na sobrevivência da família. Era cortador de cana e fazia serviços variados na entressafra. Forte, saudável e bem-humorado, sua morte, em outubro deste ano, abalou o povoado e a cidade do interior alagoano. Nilson era conhecido pela boa índole e pela disposição de ajudar ao outro, não importando quem fosse. Por conhecer essa boa vontade em prestar ajuda ao próximo, a família cedeu ao apelo dos profissionais da Central de Transplante que fizeram a abordagem e decidiu pela doação de órgãos. A irmã de Nilson, Ana Cláudia da Silva, conta que, em princípio, a família, abalada pela dor, teria dito não. Mas uma das irmãs argumentou que ele [Nilson] faria a doação, se pudesse decidir, e a autorização foi dada.