Cidades
Balé leva alegria a crianças com câncer
Quem pode mensurar a dor de uma mãe ao descobrir que seu filho, pequeno ainda, passará por um tratamento tão doloroso como o de câncer. Os dias que passam lentos ganham contorno de sofrimento à espera da cura. E quando tudo parece difícil de suportar, há pessoas que levam um pouco de alento para quem anoitece e amanhece em leitos hospitalares. Uma demonstração de amor aconteceu ontem, no setor de Oncologia Pediátrica da Santa Casa de Misericórdia de Maceió. Um grupo de bailarinos do Urban Ballet levou alegria, música e amor para crianças que fazem tratamento de câncer. A expectativa tomou conta de mães, funcionários e dos meninos e meninas. ?Foi horrível descobrir que ela tinha câncer. Eu esperava outra coisa, uma coisa mais simples. Esperava ir para casa logo no outro dia?. O relato é de Ana Paula de Araújo, mãe de Maria Paula, de quatro anos. De sapatilhas, Maria Paula ensaiava uns passos, ficava de ponta de pé, mas temia ferir a mão direita, que estava ligada a uma sonda. ?Ela começou o tratamento no dia 30 de outubro deste ano e fez uma cirurgia. Sofri muito no início porque perdi um irmão que teve câncer no intestino, como ela. Hoje eu aceito, porque tenho muita fé em Deus. Tudo está nas mãos do senhor?, conta Ana Paula, moradora do município de Inhapi. Ana Carla Santos Silva é outra mãe guerreira. José Felipe, de 5 anos, é a razão da sua vida, e desde julho deste ano a descoberta da leucemia fez o amor multiplicar-se (se isso é possível). ?Ele tinha muita febre e dor no corpo. Os médicos falavam que era virose, mas ele não ficava bom, só piorava. Passei um mês para descobrir que era leucemia?, conta. Ela mora em Teotônio Vilela, onde abandonou o que podia para acompanhar seu filho no tratamento em Maceió. Já José Felipe interrompe a mãe com tanta conversa. Um pouco debilitado por causa do tratamento, descobriu dentro do hospital o que quer ser quando crescer. ?Vou ser médico?. Vai cuidar de quem? Pergunta a reportagem: ?De crianças, como as que são daqui?.