Cidades
Famílias voltam a cozinhar à lenha
O marisqueiro Adailton Santos, 27 anos, é um dos milhares de alagoanos que deixaram de utilizar o gás de cozinha para preparar o alimento da família. Sua minguada renda provém do cozimento de até 20 latas de sururu por dia. Fatura no máximo R$ 20 diários, motivo pelo qual não tem condição alguma de pagar os mais de R$ 60 pelo botijão, na região do Vergel. ?Minha esposa prepara o alimento das crianças com fogo gerado pela queima de gravetos coletados pela cidade ou então de madeira que compro de vez em quando?, explicou à Gazeta, ontem à tarde, enquanto cozinhava sururu, processo a partir do qual o limento é extraído do capote que o protege, até ser separado, lavado e destinado ao atravessador que o leva ao Mercado da Produção. ?Da última vez que comprei botijão de gás, custava R$ 45. Trabalhava numa revendedora de água e gás, inclusive. Às vezes, conseguia um desconto, mas era caro demais. Quando perdi o emprego, por causa da falência da empresa, voltei para a beira da lagoa com mulher e dois filhos. Faz quatro anos. Desde então, nunca mais cozinhamos com gás de botijão?, disse.