Cidades
Mobilidade é questão social, defende grupo
Ao invés das gravatas e reuniões de gabinetes, eles optam pelas rodas, ruas e praças da capital alagoana. Seja de skate, patins ou bicicleta, grupos e coletivos de jovens têm questionado o que se entende por direito à cidade, ao instigarem discussões como mobilidade urbana, criminalização e segregação social em Maceió. Em meio às provocações sobre preservação e acesso aos espaços públicos, o questionamento é comum: a quem a cidade tem atendido? A conversa se mistura com a própria prática de ocupar os espaços públicos. Entre a roda e os asfaltos, skatistas, patinadores e ciclistas observam desde a situação danificada das praças até a própria reivindicação pelo direito de ir e vir e pela existência de espaços seguros para circulação de quem não anda de carro na capital alagoana. ?Vivemos em uma cidade muito desigual. Quanto maior o poder econômico das pessoas, maior a mobilidade delas. Se temos uma cidade focada no transporte coletivo, na bicicleta, com calçadas caminháveis, é uma cidade possível para todos. Quando a gente pensa na cidade focada em automóveis, é uma cidade para poucos?, defende o arquiteto e urbanista Daniel Moura, um dos ciclistas que trouxeram a Maceió, há dez anos, o movimento Bicicletada. Em meio às oscilações e aumentos no preço da gasolina, e à proposta das empresas de ônibus em aumentar a tarifa dos coletivos para mais de R$ 4, começa a se acalorar a discussão sobre locomoção. Um dos precursores da Bicicletada em Maceió reforça que a capacidade de mobilidade urbana está associada muito mais ao poder aquisitivo. Entretanto, situações como o aumento da tarifa terminam por ser mais uma expressão, segundo Daniel Moura, do transporte público encarado sob uma lógica privada. ?Quando você tem um transporte coletivo pago apenas por quem utiliza, ele é tratado como mercadoria. A questão da tarifa zero é esta: não remunerar empresas que prestam serviço de transporte coletivo apenas pelos que o utilizam, porque não pode ser regra de mercado?,diz.