Cidades
Maceió tem 3,5 mil crianças trabalhando
A indústria do famigerado trabalho infantil concentra, na Avenida Governador Afrânio Lages, no trecho de acesso ao terminal rodoviário da capital, um dos maiores contingentes de crianças vendendo guloseimas ou pedindo esmola, geralmente sob orientação de pais ou responsáveis. Em toda a cidade, são 3.500 crianças em situação de trabalho infantil, segundo estima o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Gazeta de Alagoas revisitou o logradouro e se deparou com a cena de sempre. Crianças de dois anos brincam no chão sujo do canteiro central enquanto os mais crescidos correm até os motoristas, pedindo-lhes moedas, esmola. Os adolescentes surgem na sequência, limpam os para-brisas dos automóveis e ficam na expectativa do repasse de míseros trocados. Quando a estratégia é exitosa, felicidade no semblante do adulto que os empurra para a indigência naquele trecho da cidade. ?Faz é tempo que a cena se repete. Tem adolescente que cresceu pedindo esmola por aqui?, comentou o vigilante de um posto de combustíveis. À reportagem, alguns dos pequeninos que mendigavam nada quiseram dizer. Observavam a sinalização de trânsito, como se estivessem mais preocupados com a produtividade.