Cidades
Comunidade sofre com abandono e infestações
O amontoado de barracos à beira da Laguna Mundaú denuncia um grave problema social. A falta de saneamento básico, a infestação de mosquitos, o acúmulo de lixo, a fedentina do esgoto que corre a céu aberto são um verdadeiro retrato do abandono do poder público. Por lá, crianças, jovens e idosos padecem de diversos males. Há um ano a região foi acometida por uma praga de bicho-de-pé. Uma doença transmitida por um parasita que se hospeda, principalmente, na parte inferior dos pés ou entre os dedos, mas a depender do grau de infestação, as pulgas podem se alojar em outras regiões do corpo. Elas causam, principalmente, coceira, dor, ruptura da pele com um pontinho preto no centro e branco em volta, além de inflamação e secreção. O catador de material reciclável José Hélio dos Santos, 49 anos, relatou que no início desta semana retirou um dos bichos que estava próximo à unha do dedão do pé. ?Eu senti coçando e ficando vermelho. Já sabia o que era. Esse ano foi pouco até agora, mas no ano passado até nas costas eu peguei. É complicado porque fica ruim para trabalhar, já que cato as coisas no lixo. Muitas vezes, quando eu piso, machuca e dói?, relata. A líder comunitária Cristiana Viana reclama que o problema não é apenas a doença causada pelo bicho-de-pé, mas toda a falta de infraestrutura na região. ?Nós queremos que as autoridades tirem todos esses barracos daqui. Favela não é lugar nem para animal morar, quanto mais gente. As pessoas vivem no meio da imundície. Ninguém quer viver assim esquecido. Só se vive nesses barracos porque não se tem para onde ir?, falou a mulher.