Cidades
Moradores convivem com pragas e doenças
Moradora do Conjunto Cleto Marques Luz, no Tabuleiro do Martins, em Maceió, a motorista profissional Jaqueline Lima, de 39 anos, mora há 17 em uma rua que não conta com saneamento básico. Ela assiste diariamente a um ?mar? de esgoto passar na esquina de casa e conta que, para evitar transtornos, se juntou a um grupo de moradores para concretar o local. ?A gente sempre sofreu com ratos, baratas e até escorpiões. Sem contar que, quando chovia, a água misturada com esgoto invadia a nossa casa. Todo mundo vivia doente. Foi quando todos os vizinhos se juntaram e decidiram pagar para colocar cimento na rua inteira. Cada um pagou o valor referente ao tamanho da frente de casa?, afirma Jaqueline, em tom de indignação. O mesmo esgoto que afeta a saúde da motorista Jaqueline causa prejuízos para o comerciante Carlos Anderson, de 28 anos. A mercearia dele e do seu pai fica ao lado do ponto exato em que os dejetos se acumulam, o que tem afastado clientes e feito as vendas diminuírem. ?Na minha casa, nós nunca adoecemos, mas o transtorno é muito grande. É muito mosquito, barata e rato. Nós já procuramos a prefeitura e a Casal para ver se, pelo menos, eles pavimentam aqui e dão destino a esse esgoto, mas nada foi feito. Enquanto isso, a gente é obrigado a conviver com um rio de lama?, diz o comerciante ao se referir ao esgoto na porta de casa. ASPECTOS SOCIAIS A cobertura limitada do saneamento e o lançamento de esgotos sem tratamento no solo, em rios, na lagoa e no mar, causam não só problemas ambientais e de saúde pública, provocam também uma desvalorização da região onde a contaminação pode ser vista e sentida, locais que são tomados pelo mau cheiro e pela impressão de puro abandono. Um exemplo disso são as ruas e vias que ficam no entorno do Riacho Salgadinho. Apesar de geograficamente bem localizadas, elas perderam valor e ficam esquecidas pela maioria dos maceioenses. Também viram ?rota de desvio? para os visitantes. Uma verdadeira desvalorização econômica e paisagística da região. Afinal, ninguém quer caminhar, morar e nem trafegar tão próximo a um riacho que já é considerado por muitos como um grande esgoto a céu aberto. O Salgadinho é apenas um dos casos. Próximo a ele, a Praia da Avenida, uma das mais bonitas da capital, também é evitada, mas desta vez pelos turistas e banhistas. Difícil é encontrar alguém aproveitando as águas claras e mornas, porém, extremamente poluídas do lugar.