Cidades
Centro é refúgio da vida silvestre
O Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) foi inaugurado em 2004 e tem em seu histórico um papel fundamental para a sociedade, pois além da preservação e conservação, desenvolve a pesquisa. Cercado pelo verde da Mata Atlântica preservada, o local é refúgio da vida silvestre e ajuda a recuperar milhares de bichos, que são oriundos das apreensões e em alguns casos da entrega voluntária. Apesar das deficiências na estrutura física, o local, segundo a coordenadora, a bióloga e veterinária Ana Cecília Pires, é um dos melhores do País. A comprovação disso é feita pelo próprio superintendente do Ibama, que afirmou desconhecer outro lugar no Brasil onde os animais vivam em melhores condições. ?Isso só é possível graças ao trabalho desenvolvido pelos profissionais que estão diretamente ligados ao setor. A Ana Cecília tem uma gestão pautada no compromisso com a recuperação dos animais. É muito interessante ver como ela lida com eles, pois dá para perceber que é com muita dedicação e amor. As deficiências na estrutura são compensadas na qualidade de vida que esses animais têm aqui?, enfatiza Mário Daniel. ?Através do Cetas surgiu a oportunidade de estudantes e profissionais de veterinária e biologia trabalharem com outros tipos de animais, já que antes só havia pesquisas com pets e bichos de grande porte, como bois e cavalos. Com o Cetas, nós abrimos uma frente de trabalho para pesquisas na área de doenças silvestres e enriquecimento de ambientes com animais de diversas espécies?, destaca o gestor do Ibama. Apesar da crise vivida nos últimos anos, Mário Daniel afirma que o órgão está conseguindo manter a qualidade dos serviços ofertados no Cetas. Segundo ele, não houve redução na quantidade de alimentos e insumos adquiridos. Pelo contrário, houve o aumento nas parcerias firmadas para manter o bom funcionamento do centro. Mesmo com a agitação peculiar ao ambiente vivido em um cativeiro, no Cetas, os bichos têm a oportunidade de se recuperar e ser bem cuidados até o momento de voltar à natureza. Lá, eles recebem medicamentos, são alimentados, passam por procedimentos cirúrgicos, reabilitação e adaptações que lhes proporcionam a oportunidade de retornar ao convívio natural. ?Eu acredito que essa recuperação só é possível porque todo mundo que trabalha aqui gosta muito do que faz. Muitos animais chegam debilitados, após sofrerem violência, e precisam de um cuidado especial e diferenciado?, explica a bióloga Ana Cecília.