Cidades
Médica Nise da Silveira inspirou humanização
A partir de 1980, o Hospital Portugal Ramalho adotou metodologias terapêuticas preconizadas pela médica psiquiatra alagoana Nise da Silveira, que se recusou a aplicar eletrochoque, outros métodos agressivos nos pacientes e, em 1946, fundou a ?Seção Terapêutica Ocupacional? no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Rio de Janeiro. ?O pensamento de Nise exerceu forte influência no tratamento dos pacientes de forma menos medicamentosa, menos asilar que existia no passado, e adotou o tratamento mais humanizado na atenção e cuidado ao portador de transtorno mental?, destacou o psiquiatra Audenis Lima. Paralelamente às mudanças no tratamento, continua o médico, ocorreram mudanças profundas na assistência psiquiátrica, com a criação de outros modelos de atendimento, não só hospitalares. ?As direções passadas e funcionários do nosso hospital conseguiram se colocar à frente da legislação. A unidade passou a integrar a estrutura da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal)?, lembra. A partir daí, o hospital passou a ter uma atuação docente, contribuir na formação das residências médicas, de enfermagem, dos internatos de medicina da Uncisal e também da Ufal. Isso, segundo Audenis Lima, contribuiu para adoção de metodologia de tratamento mais humanizada que hoje avança com as residências terapêuticas. Ele destacou, ainda, que nos estudos da saúde mental e no Ministério da Saúde ocorreram evolução no sentido de criar uma rede de atenção psicossocial para que pudesse funcionar o que preconiza a lei federal 10.216, de 2001, que promove a reforma no tratamento psiquiátrica, acaba com a política de internação e cria os Caps.