Cidades
Assoreamento das lagoas e pesca predatória geram risco
No passeio pelas ilhas lagunares, é possível ver a força da natureza vencer a poluição e preservar longos trechos de manguezais. A região é um berçário natural de peixes, crustáceos, mariscos, moluscos, camarão e outros animais marinhos e lagunares. Tudo está ameaçado porque do lado continental de Maceió tem o lançamento de esgoto in natura pelos canais dos bairros do Trapiche da Barra, da Levada e das ocupações desordenadas das favelas localizadas às margens das lagoas. A última dragagem dos pontos assoreados pela poluição e ocupação desordenada ocorreu em 1987, quando o senador Fernando Collor (PTC) governou Alagoas. Agora, os técnicos do Instituto do Meio Ambiente (IMA) defendem a dragagem. Os problemas ambientais contribuem para o aumento do assoreamento em vários trechos, avaliou o coordenador estadual de Gerenciamento Costeiro do IMA, Ricardo César Barros de Oliveira. ?Hoje, só pode navegar pela Lagoa Mundaú quem conhece bem a região?, afirma, ao alertar que os bancos de areias representam risco. No trecho navegado por embarcações de turismo, tem ainda os ?currais?, ?covos? e ?caiçaras? ? armadilhas artesanais para peixes feitas com madeiras de mangue. Na maré alta, ficam encobertas. No trajeto não tem boia ou outro tipo de sinalização para orientar navegadores. O coordenador de Gerenciamento Costeiro do IMA admitiu o problema, mas transferiu a responsabilidade de resolvê-lo à Marinha. ?A colocação das boias e outros meios de sinalização na lagoa é de competência da Capitania dos Portos?, disse Ricardo César. Segundo ele, a Marinha faz estudos para remover equipamentos de pesca que comprometem a navegação segura nas lagoas e para orientar a sinalização.