Cidades
Campanha tenta inibir clandestinos
O Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros (Sinturb) lançou na última terça-feira, 20, a campanha ?Transporte clandestino é ilegal, é perigoso?, com o intuito de conscientizar os passageiros de transporte público a não alimentarem a prática ilegal de transporte. A ação conta com uma simulação na qual, dentro de uma van supostamente clandestina, atores alertam os passageiros sobre os perigos do transporte irregular, além da entrega de panfletos aos usuários. Na tarde de ontem, a ação foi no bairro da Mangabeiras, nas proximidades de um shopping na região, e seguiu pelo Centro, Farol, Gruta e arredores do Tabuleiro. ?A campanha de combate aos clandestinos é também uma forma de conscientizar o passageiro, mostrar as diferenças e benefícios do serviço ofertado por nossas quatro empresas em toda cidade. É uma forma de fazermos a nossa parte, como instituição?, disse Toni Melo, gerente do Sinturb. A prática de transporte irregular tem ?tirado? os passageiros dos ônibus. De acordo com dados do Sinturb, em 2017, as empresas de ônibus tiveram uma queda de mais de meio milhão de passageiros, um total de 630 mil a menos. A categoria acredita que a maior parte desse público migrou para o transporte clandestino. Só nos últimos quatro meses, 485 veículos foram flagrados fazendo o transporte irregular de passageiros na capital, sendo 383 veículos diferentes. Desse número, 20% são de carros comuns de placas cinzas, já as vans complementares aparecem com 30%. O maior registro de clandestino é feito por táxis credenciados, que, de acordo com o Sinturb, representam 50%. Por outro lado, a escolha arriscada de pegar um transporte clandestino tem uma razão comum entre os passageiros: a demora dos itinerários dos coletivos. Usuários chegam a passar uma hora no ponto de ônibus aguardando o transporte. ?Não vou mentir. Sei que o carro que pego é errado, mas se eu não faço isso, vou acabar chegando em casa muito tarde. Estou cansada depois de um longo dia de trabalho, e o ?clandestino? acaba sendo bem mais viável?, relata Paula Andrade, 34 anos, funcionária de uma loja do shopping, residente no bairro do Clima Bom. A trabalhadora tem consciência do perigo, mas tem também suas artimanhas para se proteger. ?Eu nunca entro no carro se não tiver mais ninguém. Se houver somente homens, também não vou, espero o próximo. O que mais vemos é caso de estupro. Deus me livre?, finalizou. Em contrapartida, há aqueles que não sentem nenhuma segurança e preferem aguardar o seu ônibus chegar. ?Realmente demora bastante para o ônibus chegar. Mas não confio nesses transportes, não têm procedência alguma, são carros sem identificação?, afirma a estudante Áurea Barros, 23 anos. Os bairros onde mais é registrada a ação dos clandestinos são Tabuleiro, Salvador Lyra, Benedito Bentes, Serraria, Avenida Rotary, Farol, Centro, Santa Amélia, Chã da Jaqueira, Trapiche, Mangabeiras e Ponta verde. * Sob supervisão da editoria de Cidades