Cidades
Conselhos tutelares com�amea�a de anular elei��es
ANA MÁRCIA Denúncias de irregularidades, como a compra de votos, distribuição de materiais, aliciamento de candidatos e manipulação de eleitores marcaram as eleições para conselheiros dos conselhos tutelares de Maceió, realizadas no domingo. O órgão que tem a função de atuar na proteção a crianças e adolescentes, sobretudo em situação de risco, teve o seu pleito manipulado por vereadores e deputados interessados em manter seus cabos eleitorais na 1ª, 2ª e 7ª Regiões Administrativas, segundo informações da própria presidenta do Conselho Municipal de Defesa da Criança e do Adolescente, Diari Farias. ?Eu e outra conselheira apreendemos, na Praça das Graças, um cabo eleitoral com várias camisetas e santinhos. Nos dirigimos ao Caic do Dique Estrada e entregamos o material apreendido ao promotor Magno, que encaminhou à 1ª Junta Eleitoral?, declarou a presidenta do conselho. Uma outra irregularidade registrada pelos promotores ligados à questão da infância e da juventude, Ubirajara Ramos e Luiz Medeiros, conforme denunciou Diari Farias, foi a apreensão de um ônibus de um candidato. Foram escolhidos cinco conselheiros para a 7ª Região Administrativa, além de dois suplentes, para atuar em todo o Tabuleiro. As regiões 1ª e 2ª, referentes às áreas de Ipioca ao Centro e do Prado ao Pontal da Barra, foram unificadas, elegendo-se cinco conselheiros e dois suplentes. Cada conselheiro eleito para o Conselho Tutelar recebe um salário de R$ 1 mil para trabalhar com dedicação exclusiva, durante um período de três anos. Para Diari Farias, a eleição foi motivada pelo interesse salarial, mas, sobretudo, teve a influência de parlamentares interessados em manter seus redutos eleitorais na periferia da cidade. Custos elevados ?Isso nos deixa tristes porque foi quase uma eleição de vereador, com campanhas de custos elevados com propaganda eleitoral, deixando evidente a existência de alguém por trás financiando, uma vez que o próximo ano será de eleições municipais?, ressaltou Diari. Os candidatos tinham perfil humilde e não teriam condições de arcar com tais despesas. Ela se diz indignada com o processo, porque o princípio maior de proteção à criança e ao adolescente foi esquecido, desde quando o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescentes encaminhou um projeto propondo mudança na Lei, e sugerindo que os conselhos tutelares tivessem integrantes com curso superior e um maior nível de informações, numa forma de evitar manipulações por terceiros. O projeto, porém, foi rejeitado pelos vereadores. Os candidatos derrotados têm três dias para recorrer à Justiça, pedindo a anulação das eleições, cujo resultado já foi divulgado, ontem, via Conselho Municipal ou Ministério Público. O candidato Gonçalo Minin de Lins está entrando com uma representação para anular o pleito. ?Vereadores e deputados fizeram uma pré-eleição em benefício próprio e para beneficiar dois candidatos a conselheiros tutelares, mas nós registramos, com fotos, algumas irregularidades e estaremos acionando o Ministério Público para anular o resultado?, disse Gonçalo, um dos candidatos que perdeu as eleições, apesar do trabalho que desempenha. A presidenta da Comissão Eleitoral, Hélia da Paz, explicou que todas as denúncias feitas terão de ser comprovadas, para, então, a comissão tomar alguma atitude relacionada à eleição. ?Acho que algumas pessoas não têm postura, falta educação política e se deixam manipular, mas acredito que este resultado seja a escolha feita pelas comunidades?, destacou Hélia. O resultado será publicado no Diário Oficial do Município.