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Programa vira fonte de sustento

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Apenas nesse mês de fevereiro, 410 mil famílias alagoanas receberam benefício do Bolsa Família, segundo dados da coordenação do programa federal em Alagoas. Esse número representa em torno de um milhão e meio de pessoas, que correspondem a aproximadamente 45% da população total do Estado que precisa da transferência de renda para sobreviver. Mesmo os números oscilando mês a mês, eles mostram que a legião de pessoas pobres ou extremamente pobres não para de crescer nos 102 municípios alagoanos e são prova também de que estamos ainda muito longe de extirpar a miséria em nosso território. Fora essa estatística preocupante, não há como enumerar a quantidade de famílias que, mesmo tendo que lidar com a falta do que comer, por algum motivo não foram aceitas no programa. Em Arapiraca, a segunda maior cidade do Estado, não é difícil encontrar mães que não sabem como alimentarão os filhos na próxima refeição ou que acabam se vendo obrigadas a deixar as crianças com parentes porque não têm condições de sustentá-las. Criado em 2003, a partir da junção de outros projetos de transferência de renda existentes à época, o Bolsa Família foi instituído como uma política de combate à pobreza, como forma de garantir uma ajuda no sustento às famílias em situação de vulnerabilidade. No entanto, quase 15 anos depois, o programa passou a ter também grande importância econômica nos municípios ? principalmente nos menores ?, com a movimentação do comércio local. Com o passar do tempo, a política acabou perdendo também o caráter de ajuda emergencial, já que são bem comuns casos em que as famílias permanecem inseridas no programa porque não conseguem emprego ou outra fonte de renda. Casos como esse, e também o de pessoas que recebem o benefício indevidamente, acabam colocando parte da opinião pública contra o programa, que chega a ser apelidado de ?Bolsa Esmola?. A assistente social Maria José Cardoso é coordenadora estadual do Programa Bolsa Família (PBF) desde 2007. É uma defensora ferrenha dele. ?Por ser um programa, ele pode acabar, mas já está aí há 14 anos, mudando vidas, porque o objetivo dele é voltado para as famílias pobres e extremamente pobres?, avalia. A renda per capita de até R$ 170 ? principal pré-requisito para ter acesso ao PBF ? abarca moradores do Agreste ao Sertão, quase metade dos mais de 3,6 milhões de habitantes que vivem em Alagoas.

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