Cidades
A sensação de não precisar mais é boa
Não custa lembrar as metas do programa, que não se limita apenas à mera transferência de renda. ?O programa tem três grandes objetivos: o alívio imediato da fome, com a transferência de renda; o segundo são as condicionalidades, que são os compromissos que as famílias assumem quando se tornam beneficiárias. A criança tem que estar matriculada e estudando com frequência de 85% por mês, situação devidamente monitorada. E outro compromisso em relação à saúde?, lembra a assistente social Maria José. Como defensora do programa que é, Maria José lembra aos esquecidos: ?A gente às vezes fica com um discurso de penalizar e exigir ética somente do pobre, do beneficiário do Bolsa Família. Sei que tem muita gente que não quer sair do programa, muita gente que fica omitindo informações, que deixa de querer ter a carteira assinada por causa do benefício, mas tem gente que faz a diferença?. Enquanto existem pessoas que se favorecem indevidamente do Bolsa Família, também há aqueles que voluntariamente entregam o cartão do benefício quando deixam de se enquadrar nos requisitos do programa. Em Campo Alegre, município onde 6.700 famílias estão cadastradas, 80 pessoas pediram desligamento do programa no ano passado, e outras 26 do início do ano até a semana passada. Uma das últimas a tomar esSa atitude foi Maria Cordeiro dos Santos, 59. Há menos de um mês, ela procurou a coordenação do programa no município e devolveu o cartão amarelinho. ?Fiz isso porque sei que, como o Bolsa Família me ajudou muito nos últimos anos, agora vai poder ajudar uma pessoa mais necessitada. A sensação de não precisar mais dessa ajuda é boa, e a de estar sendo honesta, estar fazendo a coisa certa, é melhor ainda?, afirmou a agricultora, que consegui a aposentadoria.