Cidades
Recursos incrementam economia nas cidades
Um dos desafios de quem coordena o Programa Bolsa Família é impedir o mau uso dele. ?É preciso conseguir coibir quem usa de forma errada. Tem gente tentando burlar. Em Maceió vivemos em constante investigação, para identificar quem quer burlar e quem quer se aproveitar dele. Por exemplo, pessoas que contratam empregadas domésticas e não assinam a carteira para que a funcionária não perca o Bolsa Família. Não são os pobres e os extremamente pobres que prejudicam o programa, quem mais prejudica é o cidadão comum?, diz a secretária de Assistência Social de Maceió, Celiany Rocha. Celiany lembra que a secretaria recebe denúncias sobre proprietários de pontos comerciais que retêm o cartão do benefício para a venda de produtos como aparelhos celulares, por exemplo, itens que não são prioritários. ?O programa não é somente o valor, tem todo acompanhamento que se faz necessário para quem recebe o valor. O grande x da questão não é o dinheiro, mas o acompanhamento que pode ser dado?, reforça. PÚBLICO-ALVO A reportagem da Gazeta de Alagoas conversou com a economista Luciana Caetano sobre o Bolsa Família. Ela lembrou que no âmbito das políticas sociais, o PBF é um dos programas da assistência social, ao lado do Benefício de Prestação Continuada, cujo propósito é atenuar os efeitos das desigualdades sociais, com foco nas famílias em condição de extrema pobreza, esta última compreendida como a privação das condições materiais essenciais à vida (moradia, alimentação, saúde, educação). ?Implantado em 2004 a partir da criação de um cadastro único que reunia os beneficiários de um conjunto de auxílios com outras denominações, o PBF ampliou seu público-alvo, passando de 214,7 mil beneficiários em 2004 para 439,7 mil em 2014, com valores, a cada ano, sendo corrigidos com base na inflação. A partir de 2015, esse número começa a ser reduzido em função de uma política de austeridade fiscal, cujos cortes orçamentários começaram pelo gasto social (saúde, educação e assistência social)?, disse a economista. De acordo com ela, de 2000 a 2014, um conjunto de ações que incluem o PBF conseguiu reduzir, com base nos dados no Atlas de Desenvolvimento Humano, de 12,5% para 3% o percentual de indigentes, retirando o Brasil do mapa da fome e melhorando a qualidade de vida de mais de 20 milhões de pessoas. ?Esse é o resultado imediato, mas é verdadeiro afirmar que o PBF e o Programa Saúde da Família guardam uma correlação inversa com a taxa de mortalidade infantil, que, em Alagoas, caiu de 48,96? para 22,36?, entre 2000 e 2014?, acrescenta.