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Por necessidade, idosos trocam descanso pelo trabalho pesado

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Quem dera se os brasileiros pudessem ter, na prática, o que disse o poeta Augusto Branco: ?Vive cada dia para que tua velhice venha a ser a coroação de tua juventude. A velhice de uma pessoa sábia, feliz e realizada, que viveu tudo o que podia, é como a melhor das primaveras!?. Mas a realidade é outra. As poucas oportunidades no mercado de trabalho e a renda familiar insuficiente obrigam a trabalhar mais e por mais tempo, em condições insalubres, transformando em martírio uma época que deveria ser de busca pela qualidade de vida, de tranquilidade. Trabalhar sob a mira do amanhã incerto e do medo de não ter como garantir o sustento é um suplício. Que o diga gente que acumula décadas de labuta, debaixo do sol escaldante, da chuva, exposta à violência e sem proteção. Nas praias de Maceió, a reportagem encontrou trabalhadores que encaram uma rotina de muito sacrifício. Esse é o caso de Antônio Ramos dos Santos, de 72 anos. Um homem sorridente e educado que cruza a orla para vender brinquedo, protetor solar e bronzeador aos banhistas. Um dia teve carteira assinada, trabalhava num hospital como serviço geral, mas aposentou-se e o que recebe por mês, menos de R$ 1 mil, não dá para viver. ?É melhor tá trabalhando do que em casa. Tenho 10 anos de praia, andando tudo, trabalhando. Hoje moro só, mas, mesmo assim, o que recebo não dá para viver. Para completar, pedi um empréstimo no banco para fazer minha casinha, aí que não dá mesmo. Tem que trabalhar até morrer. Enquanto eu tiver vida, vou trabalhar?, relata o pernambucano de Garanhuns ? que trabalha das 7h30 às 13h30 entre Pajuçara e Ponta Verde. Um corpo franzino, que parece ter mais idade do que tem, e praticamente sem proteção na pele para encarar o sol de Maceió. As pernas vão devagar, mergulhando naquela areia quente, com a cara cansada que não combinava com o início de uma manhã. Mas tristeza mesmo ele sente quando fala da mulher que desenvolveu transtornos mentais; agora eles não vivem mais juntos.

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