Cidades
AL registra 76 casos de feminicídio
Ser mulher em Alagoas e no Brasil é viver sob risco. Não bastassem o assédio sexual, as cantadas agressivas, a diferença salarial no mercado de trabalho, o estupro e as mortes assustam e expõem a face mais cruel da violência de gênero. Nos últimos três anos, 76 delas perderam a vida, em muitos casos pelas mãos de homens, quase sempre, com quem conviviam. A quantidade de crimes deixa o Estado com o maior número de casos na região Nordeste em 2017. O feminicídio, como foi tipificado os crimes de ódio contra elas, teve uma leve queda em relação ao ano de 2016, quando foram registradas 36 mortes. No ano passado, foram cinco a menos: 31 mulheres alagoanas foram trucidadas com requintes de crueldade. A triste contagem nasce em 2015, quando 9 perderam a vida, como revelam dados do Monitor da Violência feito pelo G1. Segundo a presidente da Comissão da Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Alagoas (OAB/AL), advogada Eloína Braz, os números podem ser muito maiores, pois a falta de delegacias especializadas no interior ajuda a mascarar a realidade. ?Não temos uma estatística real dos casos, porque não temos delegacias especializadas no interior. Lá, os crimes são tratados como homicídio, por isso não tem dados concretos?, disse Eloína. Com a experiência de quem conhece a realidade e a falta de estrutura, ela também contesta os números ? quando surgem ? da violência doméstica. ?Há uma subnotificação. A denúncia desses casos é algo que temos que incentivar, porque o que está aí não é 30% do que de fato ocorre. Sem falar nos estupros cometidos pelos próprios companheiros, pois a mulher que é agredida, muitas vezes, também é submetida a relação sexual não consentida, e isso é crime?, completou Eloína. Em média, no Brasil, doze mulheres são mortas por dia. A motivação mais prevalente é o ciúme dos companheiros, maridos e namorados, além da ação de estranhos que não tiveram uma cantada agressiva correspondida. Em todo o País, em 2016, foram registrados 812 casos de feminicídio. Já no ano passado, a estatística mostra uma aumento de 6,5%, com 946 casos registrados.