Cidades
Detentas conhecem caminhos diferentes
Descobriu uma grave doença, superou. Não pensava no futuro, aprendeu uma profissão. Não acreditava em dias melhores, encontrou a fé. Não sabia ler e escrever, agora faz resenha de livros. A Gazeta de Alagoas não encontrou esses exemplos de superação na rua, mas dentro do sistema prisional alagoano. Condenados por crimes, reeducandos encontraram atrás das grades projetos que proporcionam mais do que a remissão de pena: encontraram sentido para a vida em um ambiente carregado de solidão, medo e incerteza. Priscila Patrícia dos Santos Silva tem apenas 28 anos, passou mais de dois deles no Presídio Feminino Santa Luzia, em Maceió. Mãe de uma menina de cinco anos que encontra poucas vezes, foi condenada a 15 anos, quatro meses e 21 dias por tráfico de drogas. Hoje trabalha e estuda. Mira lá na frente um emprego formal, uma vida melhor quando ganhar liberdade. Antes disso, luta contra uma doença que virou pelo avesso sua vida já afetada pelo crime. É soropositiva. Aurelina Temóteo Sobral é uma senhora de 60 anos. Já foi catadora de sururu, não sabia ler nem escrever. Foi presa em 2012 por tráfico de drogas. Saiu e depois voltou para o Presídio Santa Luzia, desta vez sob acusação de envolvimento com o sequestro, morte e ocultação de cadáver de um filho adotivo. Ela nega. Aguarda julgamento e diz que vai provar sua inocência, mas para isso clama pela realização do júri popular. As duas mulheres citadas na reportagem participam de curso profissionalizante e trabalham no sistema prisional. Passaram a desenvolver atividades para guardar algum dinheiro, descobriram profissões. Aprenderam com as páginas dos livros que resolveram ler. Aderiram e participam de projetos de remissão de pena para contar a própria história.