Cidades
Quem participa quer nova vida ao deixar prisão
Priscila Patrícia tem um olhar triste, mas alimenta esperança de que terá dias melhores. Nunca havia trabalhado. Aprendeu a costurar dentro do presídio e a viajar nas histórias que passou a ler. Sonhava ser professora de Educação Física, mas não seguiu com os estudos e agora cumpre pena por tráfico de drogas. ?Não acreditava que eu poderia fazer o que eu faço hoje. Montar peças, costurar. Sobre o Lêberdade (projeto da Seris), gosto de ler e de escrever. A pessoa ocupa mais a mente. Já estou no quinto livro. A pessoa viaja naquela história?, conta. Na memória, ficaram as palavras da obra Capitães da Areia, de Jorge Amado. ?Fala de meninos de rua, a gente se sente personagem também?. A filha de cinco anos que mora com uma bisavó, ela vê pouco. ?Faz oito meses que eu não vejo minha filha, porque quando ela vem aqui, adoece. Prefiro que ela não venha?. Faltam dois anos e seis meses para Priscila sair do sistema prisional. ?Quando sair, quero voltar a estudar. Depois que comecei a ler e trabalhar aqui dentro, mudou muita coisa. Meus pensamentos. Num canto, parada, a pessoa só pensava besteira. Descobri dentro do sistema que eu sou soropositiva, então, ler e fazer as roupas me fazem esquecer um pouco o meu problema. Quando eu descobri a doença, foi quando eu descobri o quanto a vida é importante. Queria que tivesse a máquina do tempo e voltar atrás. Me arrependo de coisas que fiz?. Aurelina Temóteo tem 60 anos. Foi levada para o sistema prisional no dia 19 de novembro de 2012, sob acusação de envolvimento com o tráfico de drogas. ?A polícia prendeu, fui levada para o Santa Luzia (presídio). Aí, fui liberada com sete meses. Depois, eu retornei para o sistema. Eu tava em casa, sequestraram o meu filho adotivo e a mãe dele me acusou de ter sequestrado, matado e ocultado o cadáver dele?, relata.