Cidades
Armar cidadãos seria retrocesso devastador
O especialista em segurança pública e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Emerson Oliveira do Nascimento considera que a aprovação do Estatuto do Desarmamento foi um avanço significativo para a sociedade brasileira e o que se busca, neste momento, é o ?seu desmantelamento, mediante a aprovação de um Projeto de Lei (PL)?. ?É um retrocesso devastador?, define o especialista. Segundo ele, há fartas e sólidas evidências científicas que atestam que a maior disponibilidade de armas de fogo entre os cidadãos impacta, de forma significativa e crescente, no número de homicídios e suicídios de uma dada sociedade. O professor acrescenta que não há nenhuma garantia de que a sociedade armada será mais pacífica. ?O grande problema desse debate é que ele se dá de forma irresponsável, no calor das emoções e sem levar em conta evidências empíricas importantes?, alerta. ?O cenário é sinistro e desalentador, caso nossos legisladores aprovem o referido projeto de lei?, completa. Emerson Oliveira também destaca que, mesmo estando em evidência e em crise, ?segurança pública não é terreno para amadorismos ou especulações?. Segundo ele, é preciso verificar, avaliar e diagnosticar os cenários. O professor diz que o grande erro, em se tratando da segurança pública, é se deixar guiar por impressionismos e senso comum, desmerecendo o conhecimento prático acumulado por outros países ou, mesmo, aquele produzido na academia. De acordo com ele, muitos argumentos estão pautados apenas num teor meramente retórico. ?Todo cidadão, de fato, tem direito a defender sua família, sua casa e sua propriedade, mas como uma arma de fogo o ajudaria nesse sentido??, reflete. O professor observa que, diante das situações de assalto ou qualquer outro tipo de crime similar, a posse de arma de fogo pela vítima, em 83% dos casos, tem estimulado a reação e, consequentemente, a morte do cidadão. Além disso, diz ele, a presença da arma de fogo em casa potencializa os conflitos banais do dia a dia, transformando uma briga de casal ou entre vizinhos numa tragédia. * Sob supervisão da editoria de Cidades