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ENERGIA LETAL

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?Quem que trabalha nessa área e nunca levou um choque??. É com outra pergunta que o eletricista Adaniran Lopes Floriano, o Bira, de 49 anos, responde ao questionamento sobre os acidentes de trabalho nos quais já se envolveu nas quase três décadas dedicadas à profissão. Num deles, por exemplo, ficou perto de perder um dos olhos após ser atingido por estilhaços de uma explosão. O incidente já tem cerca de três anos, mas é ele que vem à mente do trabalhador quando esse é o assunto. ?Era de noite e houve um problema num condomínio no bairro de Cruz das Almas, em Maceió. Como era época de carnaval, o pessoal que trabalhava lá não estava, e me ligaram. Entrei na casa das bombas e quando coloquei o teste no comando estourou e os estilhaços de cobre pegaram no meu olho?. Ele é apenas um entre os muitos alagoanos envolvidos em acidentes com choques. No ranking nacional, o Estado é um dos detentores de dados alarmantes: no ano passado, foram 32 casos de morte, segundo dados da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel). Em Alagoas, quatro pessoas também morrem por mês vítimas da descargas elétricas. As estatísticas mostram que, apesar de invisível aos olhos, a energia elétrica traz perigos mais reais do que muitas vezes se imagina. Bira que o diga. No caso dele, as explicações para o que aconteceu são muitas: o eletricista não conhecia o prédio onde fazia o serviço e também não tinha o mapeamento da rede. Além disso, entrou no local no escuro e, para piorar, estava sem Equipamentos de Proteção Individual, os EPIs. ?Não estava com o EPI, porque, nesse dia, estava na igreja quando ligaram me chamando e fui direto para o condomínio. Quando estourou, saíram aqueles estilhaços e isso que pegou no meu olho. Por sorte, tive um médico muito bom e, graças a Deus, não aconteceu o pior. Mas poderia ter perdido a visão por imprudência minha mesmo?, reconhece o profissional.

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