Cidades
Indefinida sa�da de moradores do Reginaldo para conserto de ponte
FÁTIMA ALMEIDA A novela da retirada das famílias que estão na mira de barrotes de madeira de até 20 quilos, embaixo da ponte do Reginaldo, ainda não acabou. Ontem, representantes de órgãos da prefeitura, Defesa Civil e dos moradores voltaram a se reunir, em busca de soluções para o problema, que passa pela derrubada de barracos para possibilitar o trabalho do Corpo de Bombeiros, a quem caberá a missão de desativar o perigo que ameaça as pessoas, a 40 metros de altura. Ainda não foi desta vez que as decisões foram finalizadas. Uma nova reunião foi marcada para hoje, às 10h, nas proximidades da ponte, envolvendo as 17 famílias que terão que deixar os barracos. A proposta da prefeitura é indenizar as famílias, mas ninguém sabe ainda para onde irão, como impedir que voltem a construir barracos no local e se essas indenizações seriam pagas em dinheiro ou em material de construção. Uma avaliação feita pela Superintendência Municipal de Controle e Convívio Urbano (SMCCU), com acompanhamento da Defesa Civil e das duas associações (Reginaldo I e II), mostra valores que variam entre R$ 700, 00 e R$ 1.400,00, considerando itens como tamanho e material usado na construção do barraco. A avaliação não leva em consideração o terreno, porque a ocupação é irregular. Para indenizar todas as famílias a prefeitura gastaria pelo menos R$ 15 mil. O principal temor manifestado pelo presidente da Associação dos Moradores do Reginaldo I, Marcos Correia, é de que essas pessoas recebam o dinheiro, não consigam reconstruir suas casas, porque não terão o terreno, e entrem num processo de marginalização. Ele culpa a prefeitura pelas ocupações irregulares, alegando que a fiscalização não é eficiente, mas diz que dar dinheiro a essas pessoas é um risco. ?O ideal seria uma nova casa?, diz. Os representantes da prefeitura reconhecem os riscos, mas não consideram a hipótese de construir as casas para os moradores, agora. Além do fator tempo (os barrotes têm que ser retirados com urgência), há questões legais que teriam que obedecer, como o padrão mínimo de construção. A idéia de doar o material e promover um regime de mutirão esbarra na questão do terreno que, segundo a prefeitura, não tem disponível, no momento.