Cidades
Para moradores, o importante é ter paz
Lidiane Anastácio tem 32 anos e dois filhos. Mora no Engenho Novo, localidade na região Norte de Maceió. Pelo menos três vezes por semana, ela encara uma longa estrada de barro pela frente de sua casa de taipa até um rio, onde lava roupas e louças. É uma caminhada cansativa. Há anos essa é a rotina da dona de casa. ?Não tem água encanada aqui. Isso é um sofrimento. É a pior coisa de viver no Engenho Velho?, conta a dona de casa. Energia elétrica tem, ainda bem, senão seria ainda mais difícil. ?Tem um poço, mas a água só dá para beber e cozinhar, e no verão seca. É um sufoco. Tem seis pessoas morando na minha casa, aí gasta muito?, afirma Lidiane. Os filhos de 14 e 16 anos têm que se deslocar até o bairro Pescaria para estudar. Quem vive nessa região quase sempre trabalha nas fazendas localizadas ali ou fica em casa mesmo, sem atividade remunerada. Daqui a pouco, o aposentado Artur Bandeira Alves completa 70 anos. Sempre trabalhou na roça, tira o sustento dela há décadas. Ficou viúvo, casou de novo e tem quatro filhos, nenhum deles vive na área rural. Não fale dele trocar de moradia, de viver na capital. ?Nasci e me criei aqui. Não tenho vontade de sair. Aqui não tem zoada como Maceió. O problema é só falta de água. Aí a gente tem que se virar. Para ir ao médico, vou no posto da Pescaria. Ando de noite aqui sem medo, até dentro do mato?, conta. Quando tem de ir para Maceió, é um sufoco. ?Tenho medo de andar de carro, parece que vou sofrer um acidente?. A mulher, Maria da Conceição da Silva, 58, concorda. ?Não quero sair daqui. É muito mais calmo. A gente se acostuma com o silêncio?. Localizada a poucos minutos e quilômetros do centro urbano da cidade, a zona rural de Maceió guarda características de cidades do interior. Paisagens inspiradoras, gente simples e acolhedora, como o administrador de fazenda Paulo Barros. Ele mora há 14 anos no Bamburral, que fica perto do Engenho Velho, onde há fazendas espalhadas e vasta plantação de eucaliptos. Com a esposa Maria Cícera Marques, vive há 37 anos e tem oito filhos ? o mais velho de 35 anos e a mais nova de apenas 10, além de oito netos. Tem uma vida simples, mas a alegria está em cada canto da casa onde correm as crianças. Não troca a vida que tem hoje por nada. O sossego vale ouro.