Cidades
Movimentos agrários protestam em Maceió
Aos 50 anos de idade, 15 deles como assentado, Jorge Sebastião da Silva já foi despejado doze vezes da Fazenda Pitombeira, em Capela. Trouxe a mulher e os dois netos para a Praça Sinimbu, no centro de Maceió, juntando-se aos cerca de 3 mil trabalhadores rurais sem terra. Vindos de todas regiões de Alagoas, eles chegaram no último domingo à capital para a Jornada de Lutas pela Reforma Agrária. Ontem, ainda pela manhã, seguiram em caminhada até a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), na Cambona, fechando a entrada do prédio. Durante o ato, eles teriam rasgado a golpes de facão pneus de um veículo pertencente ao procurador de Estado aposentado Pedro Rego, de 75 anos, que estava no pátio da Sefaz. ?O carro estava com um familiar meu que trabalha na secretaria. Eu, que não tenho nada a ver com isso, acabei tendo prejuízo?, protestou. A data também marca o episódio de Massacre de Eldorado dos Carajás, que deixou duas dezenas de trabalhadores rurais mortos, no Pará, há 22 anos. Em barracas de lona armadas na praça, integrantes dos movimentos Comissão Pastoral da Terra (CPT), Libertação dos Sem-Terra (MLST), Via do Trabalho (MVT), Trabalhadores Sem Terra (MST) e Luta pela Terra (MLT) terão atividades nesses dias, com doação de sangue no Hemoal ? ocorrida ontem ?, ato ecumênico, que deve acontecer hoje, e tentam, ainda, uma reunião com o governador Renan Filho (MDB). Carlos Lima, coordenador da CPT, lembra que abril é considerado um mês de luta para os movimentos, especialmente por causa do Massacre de Eldorado dos Carajás. ?Temos gente de todo o Estado. O povo que está aqui é acampado e assentado, que faz luta pela reforma agrária em Alagoas. Estão compondo essa jornada de luta seis organizações do campo que atuam na reforma agrária, fazendo essa atividade em Maceió, mas continua chegando mais gente?, disse.