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Povos enfrentam desafio para manter identidade

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Há 100 anos, segundo conta o historiador Jorge Vieira, existiam em Alagoas apenas os Xucuru-Kariri, na região de Palmeira dos Índios, e os Kariri-Xocó, em Porto Real do Colégio, que, apesar de todo o processo de extermínio de suas culturas e expulsão de suas terras, conseguiram resistir ao processo de dispersão. ?Em 1954, os Xucuru-Kariri conseguiram uma pequena gleba de terra na Fazenda Canto e os Kariri-Xocó se estabeleceram na Rua dos Caboclos, na periferia. Somente no fim dos anos de 1970 é que começaram a ressurgir os demais grupos?, afirma Vieira. A maioria dos indígenas, sem rumo e condições de sobrevivência, teve que migrar para cidades, como Maceió, à procura de emprego. Foram os índios, reforça o historiador, os principais responsáveis pela construção do histórico bairro de Jaraguá. Também foi no fim dos anos de 1970 que surgiu o primeiro livro resgatando a história dos indígenas alagoanos, escrito por Clóvis Antunes. ?A partir desse período, os índios voltam a se organizar e a buscar seus direitos à etnia, terras, saúde educação?, assegura Vieira. Com isso, teve início o ressurgimento dos indígenas alagoanos e assim voltaram a se formar, em aldeias, os Wassu Cocal, Carapotó, Tingui Botó e Jeripankó. Somente a partir de 1990, por intermédio do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), os povos começaram a se organizar; e, a partir de 1998, retomaram a sua cultura os Kalancó, Karuazú, Katoquim e, mais recentemente, os Akonã e os Pankararu.

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