Cidades
Gerações se recusam a trocar vida simples pela modernidade
Não só pelo fim da pesca e das plantações, porém, o Pixaim tem visto sua população minguar. Quem acha que os problemas acabam na salinização do rio e na carência de água está bem enganado. Os moradores da localidade precisam enfrentar ainda uma adversidade quase inimaginável em pleno século 21: a falta de energia elétrica. E é da engenhosidade que eles tiram soluções para driblar questões simples, como o armazenamento de alimentos. ?A gente sofre aqui sem luz. Tem que pegar o peixe e vender de um dia pro outro, pra não estragar. Se não for vender no Potengy, tem que ir lá pra pegar gelo e colocar o pescado. A água a gente bebe ?crua? mesmo, porque não tem energia para gelar. Sem geladeira, só dá pra guardar a comida por pouco tempo. Colocamos nos potes tampados por causa dos insetos e vamos levando assim?, revela seu Aladim, que, nascido por lá, nem imagina como é ter uma existência diferente. A neta de seu Aladim conta que já se acostumou a viver assim. Aos 13 anos, Ana Paula gosta da maneira como o destino se desenhou para ela. ?Pra mim é bom por uma parte, sem energia e sem água. Acho melhor usar candeeiro do que energia, e também acho melhor carregar água do que colocar encanada. Eu gosto. Mesmo com isso tudo, tenho orgulho de morar e ser do Pixaim?. Tanto a Eletrobras quanto a gestão municipal, contudo, garantem estar tentando mudar esses fatos. Segundo a distribuidora de energia, a comunidade está entre as que serão atendidas pelo Luz para Todos. O projeto e os valores para execução já foram levantados ? e devem ficar em torno de R$ 264 mil. Só que, por questões financeiras, a obra ainda não tem previsão de início.