Cidades
Urubus fazem feira no mercado
Basta uma trégua da chuva para o contêiner onde são descartados restos de pele de aves, penas, plásticos e verduras virar uma ?feira dos urubus?. A cena se repete quase diariamente, do lado de fora do Mercado da Produção, no bairro da Levada, referência na revenda de alimentos há 40 anos, na capital. A revoada, flagrada pelo repórter fotográfico José Feitosa no último dia 26 de abril, começa depois que os consumidores se vão. O lugar exato é o estacionamento, porém, pelo odor fétido que atravessa as narinas, é fácil qualquer pessoa localizá-lo. O cheiro é tão forte que parece impregnar nas roupas. Há pontos onde é difícil respirar. Incrível constatar que fica próximo ao portão de acesso às tarimbas de peixe e outros pescados. Sem tratamento adequado, a água se acumula no local, seja pela chuva ou pela que se empoça nas galerias. Mesmo assim, nem o contrato de R$ 12 milhões pagos por mês, pela Prefeitura de Maceió, às empresas concessionárias, garantiram, até hoje, a construção de uma Central de Coleta para as 35 toneladas de lixo produzidas, diariamente, no local. O trabalho árduo de carregadores, comerciantes e distribuidores deixa para trás resíduos orgânicos que se deterioram ao calor do sol. O material que cai do depósito sofre o ataque que vem do ar, pelo chão e sobre a carniça. As aves futucam, reviram agitadamente, produzindo um som com o bater das asas. É tanta sujeira em decomposição, que alguns urubus demonstram êxtase e abrem as asas. em um tipo de veneração. Numa segunda investida da reportagem, no dia seguinte, o contêiner já não estava mais no mesmo local. Estava estrategicamente alocado num canto difícil de visualizar e de acesso restrito. Foi a solução encontrada pela Superintendência de Limpeza Urbana de Maceió (Slum), órgão que administra a coleta de lixo na capital.