Cidades
Saneamento é outra carência
É tarde. Às 11:50h, em dias de semana, pouca gente ainda resiste nos boxes. É hora de arrumar o que sobrou, varrer e preparar o outro dia. Essa é a rotina do feirante José Alves de Oliveira, 70, que está prestes a completar 40 anos de mercado. O senhor, que hoje vende amendoim e passa até 11 horas em seu ponto, faz uma revelação surpreendente: ?Aqui só não encheu nos três primeiros anos. Depois, arriou e danou-se a encher. Vivemos numa situação difícil, uma tristeza?, contou, mostrando que trabalha sobre uma plataforma de 45 centímetros. ?É para a água não bater. Porque quando chove ela não tem para onde sair?, detalhou ele. Convivendo ao lado da sujeira, reclama que a que vem por dentro do mercado também deixa marcas e incomoda. ?O carro recolhe. Muito bem! Mas, quando passa pingando, deixa aquele fedor que não tem quem aguente. Isso tudo aqui e o de fora espantou o povo. Os fregueses antigos do mercado, afastou todo mundo?, completa. Ele se refere aos coletadores que trabalham dentro do mercado. Com carros feitos para ser puxados à mão, recolhem de tudo um pouco. Carregam em média 50kg por viagem. Mas, até chegar ao portão de acesso à base de recolhimento de lixo, também sujam. O líquido que se decompõe fede. Sem ver uma solução a curto prazo para o problema, o comerciante sugere apenas que os resíduos de carne e frango pudessem ser recolhidos diariamente para outro ponto e que não ficasse acumulado.