Cidades
Moradores vivem em um mar de sujeira
Faz 35 anos que a hoje aposentada Angelita Veríssimo da Silva, de 65 anos, vive à beira do esgoto. Desde então, não sente outro odor que não seja a fedentina que brota do canal-esgoto que cruza a Avenida Senador Rui Palmeira, entre Vergel e Bom Parto, em Maceió, levando tudo o que é porcaria à paradisíaca Lagoa Mundaú. ?Você não faz ideia do quanto é horrível acordar, ver o céu azul, mas aspirar fedor de merda, de sujeira, de podrice?, lamentou a aposenta, que viu os filhos crescerem à beira da sujeira e, algumas vezes, precisou correr e resgatar do córrego alguns de seus netos. Isso mesmo: seus netos já afundaram no ?rio? de muita sujeira. Quando chegou à avenida cuja ?atração? é o esgoto, então conhecido como ?Riacho Brejinho?, não imaginava que o córrego seria reestruturado para receber ainda mais sujeira. ?Depois de um tempo, fizeram as paredes de concreto. Melhoraram o esgoto para receber muito mais sujeira, inclusive da casa dos moradores da região?. O tempo passou. Quem não escapou da fedentina recebeu sorridente os novos vizinhos. ?Faz 11 anos que cheguei?, diz Jailson dos Santos Silva (foto), cuja barbearia está em frente ao esgoto. ?Não tem quem aguente tanto fedor?, comentou, demonstrando preocupação com seu filho pequeno. ?Cuidado para não cair aí?, avisou.