Cidades
Pastoral promove dia de jejum pela paz no campo
FÁTIMA ALMEIDA Padres, freiras, monges e agentes pastorais da Comissão Pastoral da Terra realizaram, ontem, um dia de jejum e oração na Praça Deodoro, em frente ao Tribunal de Justiça do Estado, para pedir paz e Justiça no campo. Uma tenda de lona, lembrando as utilizadas pelos trabalhadores rurais nos acampamentos dos sem-terra, serviu de altar, onde foram expostos vários símbolos da vida e da luta do trabalhador, como a água (simbolizando a vida), a cruz (simbolizando a presença de Jesus Cristo), a Bíblia, o prato vazio (simbolizando a fome), o livro de conflitos da CPT, onde estão registrados os atos de violência no campo. No local, um painel com a relação dos 38 trabalhadores assassinados em Alagoas, de 1988 até o ano 2002, reforçava a frase escrita da faixa: ?Nossa fome é de Justiça e paz. Este é o quarto ano que os membros da CPT realizam o ato. ?Nós não convidamos os trabalhadores a participar porque entendemos que eles já vivem constantemente com fome, passando necessidades?, explica Carlos Lima, líder da CPT, acrescentando dados, segundo ele, de pesquisas, que mostram que mais de 1.500 alagoanos passam fome. Violência Carlos informou, ainda, que o local do jejum foi escolhido de forma a chamar a atenção do Poder Judiciário para as injustiças que acontecem no campo. ?São agressões e assassinatos que ficam sem resposta?, diz o coordenador da CPT. Na relação dos 38 assassinatos ocorridos no campo alagoano, nos últimos 15 anos, os municípios de Novo Lino, União dos Palmares, Colônia Leopoldina, Branquinha e Campestre aparecem como os locais de maior ocorrência, com três assassinatos em cada um deles. O ano mais crítico foi 1992, quando foram assassinados 11 trabalhadores rurais. No ano seguinte, 93, a violência continuou acentuada, com oito assassinatos.