Cidades
Biólogo transforma casa em santuário
O gosto pela arborização em prol da coletividade germinou no ano de 1976, quando o então servidor público do Banco do Brasil concluiu sua licenciatura em Biologia e colocou em prática um antigo desejo de ajudar a arborizar o mundo. ?São atitudes isoladas que, juntas, salvarão nossa Terra. Somos todos guardiões da natureza!?, argumenta Cícero Galdino dos Santos. A partir daí, ele iniciou a fase embrionária do projeto ?Arborizar para Viver Melhor?, que consiste em plantar e distribuir mudas para quem quiser adotar uma árvore. De lá para cá, estima-se que tenha participado do plantio e distribuição de mais de 20 mil mudas apenas no município de Arapiraca. ?As pessoas já sabem. Quem quer plantar uma árvore basta vir na minha casa ou mesmo me ligar, pois farei o possível para atender seu pedido?, garante Galdino. Não é exagero afirmar que, em praticamente todas as ruas de Arapiraca, assim como em muitos recantos da área rural, há pelo menos uma árvore que teve a participação de Cícero Galdino. Houve épocas, por exemplo, que para incentivar o gosto dos arapiraquenses pelo plantio, ele deixava mudas em vários locais públicos, como supermercados, na intenção de que famílias passassem por lá e realizassem a boa ação. Isso foi nos anos 1970. Durante esse período, Galdino só aumentou o fornecimento de mudas. A casa da família, na parte urbana da cidade, transformou-se em uma espécie de central de distribuição de mudas. Mas é no Paraíso das Árvores, rancho de sua propriedade, que ele mantém seu santuário ecológico da fauna e da flora brasileiras. São tantas variedades de árvores juntas... Jenipapo, seriguela, mangueira, tamarindo, sambacaitá, pau-brasil, lírio do campo, cajarana-mirim, alfarroba, amoras, algodão-bravo, figueira, enfim, espécies que embelezam o local e oxigenam a natureza. Todas sob a supervisão diária de Galdino, que faz o possível para manter o desenvolvimento saudável de cada uma delas. Mesmo que isso, às vezes, lhe saia muito caro. Sem o devido apoio do poder público, se queixa, por exemplo, da falta que faz um carro-pipa para fazer a irrigação do local. Isso sem falar da manutenção. Na prática, aquisições, sempre que necessárias, de utensílios técnicos, como adubação química, sacos plásticos, defensivos e combustível para deslocamento, que não saem por menos de R$ 3 mil ao mês.