Cidades
Fábricas seguem sem licença para funcionar
A fiscalização começou a atuar com rigor contra as fábricas clandestinas a partir de maio de 2015. Naquela ocasião, uma operação que envolveu mais de 200 policiais civis, militares, rodoviários federais, do Exército, integrantes do Ministério do Trabalho e do Ministério Público Federal flagrou trabalhadores rurais e crianças produzindo ?bombas? de São João em condições extremamente perigosas, sem equipamento de proteção de acidente, em local inadequado e sem carteira profissional assinada. Encontrou também grande quantidade de livros escolares usados na fabricação de fogos de artifício. Os mandados judiciais contra os clandestinos resultaram em várias medidas, uma delas foi o fechamento de fábricas nos municípios de Murici, União dos Palmares, São José da Laje e Ibateguara, na Zona da Mata. Nos locais interditados, as autoridades constataram que os funcionários estavam em condições de risco de vida por manusearem nitrato, salitre, enxofre e alumínio (ingredientes para fabricação de estalo ou traque de salão) sem a proteção adequada. A pólvora usada na produção de fogos de artifício era preparada em pilão de café pelos familiares e amigos dos donos das fabriquetas. As indústrias lacradas não obedeciam também à legislação de segurança para a fabricação de produtos inflamáveis. A maioria trabalhava com mão de obra de crianças e adolescentes. No município de Ibateguara, as 10 fábricas permanecem com as licenças canceladas. O mesmo acontece em São José da Lage e outros municípios. Em Murici, a fabricação de fogos também esteve suspensa. Porém, os empresários do setor se organizaram e criaram uma associação. Hoje, eles mantêm a produção de estalo de salão, explicou João Batista, que tem uma pequena produção e emprega a mulher e dois filhos. O produto comumente usado pelas crianças no período junino é feito com nitrato, salitre, enxofre, alumínio e areia. Aparentemente não oferece risco. Hoje, a ?massa? para a fabricação do ?estalinho? é manuseada por fogueteiro experiente e em campo aberto, distante das residências, explicou João, que domina a técnica.