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Prostitutas faturam de R$ 1,00 a im�veis de luxo

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CAÍQUE MARQUEZ O preço da prostituição em Maceió varia de R$ 1,00 a luxuosos apartamentos, que são dados como ?presentes? às prostitutas de elite que se submetem a conceder prazer sexual a homens da alta sociedade alagoana. Atualmente, nossa capital abriga dois grupos bem distintos de garotas de programa: as que possuem nível universitário e moram nos bairros mais valorizados da cidade e as que sobrevivem nas ruas, com idade que varia entre nove e 23 anos. Isso mesmo! Pasmem! Tem menina de apenas nove anos vendendo o corpo. Essas informações são comprovadas na pesquisa da professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Cleonilse Nicácio, que é formada em Filosofia e está para concluir seu mestrado em História. A tese que ela irá defender, no próximo ano, é baseada no levantamento histórico da prostituição em Maceió, que está em fase de conclusão. De acordo com a professora, ainda existe um pequeno grupo de prostitutas, composto por senhoras de 35 a 40 anos, que vendem o corpo nas ruas por falta de emprego ou para complementar a renda familiar. A reportagem da GAZETA DE ALAGOAS foi às ruas comprovar, na prática, os resultados da pesquisa. Conseguimos acesso a prostitutas de classe baixa, que atuam nas esquinas e praças da cidade, bem como a garotas e garotos de programa da alta sociedade. Os que fazem parte dessa última classe concordaram em conceder entrevista exclusiva, desde que seus nomes verdadeiros não fossem revelados. Por isso, as prostitutas e prostitutos de elite utilizam nomes ?artísticos? (todos fictícios), para não serem reconhecidos. Os nomes escolhidos por eles variam entre Priscila, Jackeline, Kelly, Jessica, Jennifer, Millena, Cibelle, Ninfeta, Roberto, Ricardo, Don Juan, entre outros. No levantamento da professora Cleonilse, existe um depoimento de uma senhora, que está na faixa etária de 35 a 40 anos, que se prostitui para sustentar duas filhas em uma universidade, em Recife. ?Elas pensam que eu trabalho aqui em Maceió em uma empresa. Mas o dinheiro que ganho vem das ruas. Quando elas se formarem, eu largo essa vida?, disse a senhora. Prostituição ou programa As garotas que fazem parte da prostituição elitizada são bonitas, simpáticas, educadas, carinhosas e cultas. A maioria possui namorado firme, que nem desconfia que está se relacionando com uma prostituta. Entre essas garotas estão, inclusive, algumas secundaristas e universitárias, jovens que trabalham em lojas de grifes famosas da cidade e freqüentam badalados barzinhos e boates da capital. Essas garotas não admitem que estão se prostituindo e sim fazendo programa. Para elas existe uma diferença. ?A prostituta vende o corpo em troca de dinheiro. Nós damos prazer aos nossos parceiros e somos recompensadas com presentes?, explicou Priscila. Ela tem 22 anos, é universitária e cursa Odontologia. Seu maior sonho é conseguir se formar, montar um bom consultório e ter estrutura de trabalho. Depoimentos semelhantes a esse consta na pesquisa da professora Cleonilse Nicácio. Algumas garotas afirmam que após estabilizar suas carreiras, largarão a prostituição. O caso de Priscila é um pouco diferente. Ela não sabe se irá parar de fazer programas após se formar. ?Ainda não parei para pensar nisso, pois gosto do que faço. Não tenho namorado firme e sempre saio com executivos, empresários, políticos e jovens das classes média e alta. Ganho muitos bons presentes, que dificilmente poderei comprar somente com meu salário de dentista. O melhor de todos que recebi até hoje foi o meu carro. Um Polo?, ressaltou. Priscila conta que sua família é de classe média e não mora em Alagoas, e, por isso, não precisa se preocupar em dar muitas satisfações. ?A maioria dos meus parceiros é casada?, declarou. Como Priscila, existem centenas de garotas. Porém, algumas delas, que satisfazem a classe rica, além de receber ?presentes?, também aceitam dinheiro. Para isso, elas possuem linha de telefone celular própria, para atender os clientes e anunciar seus números nos classificados dos jornais. Suas famílias e namorados não sabem da existência da linha e muito menos da atividade paralela. Geralmente cobram R$ 500,00 por programa, chegando a mil reais se for para passar a noite ou acompanhar o cliente em eventos, jantares ou viagens. Por serem muito vistosas e inteligentes, facilmente passam por namoradas. ?Somos muito requisitadas por pessoas casadas que falam para as famílias que vão viajar a negócios. Também nos procuram homens de outras cidades, estados e países?, salientou Kelly, que está nos classificados. Ela disse que quando o pretendente é estrangeiro, o programa é cobrado em dólar. ?Os próprios hotéis nos indicam para os hóspedes interessados. Nesses casos, costumo cobrar 200 dólares por hora de programa?, ressaltou Kelly. Casais se prostituem Até casais costumam procurar garotas e garotos de programa para realizar suas fantasias. Mulheres descontentes no casamento também recorre a aventuras, embora em número muito pequeno, e finalmente os homossexuais. Para evitar gravidez e doenças sexualmente transmissíveis tomam anticoncepcional e sempre exigem que o parceiro use camisinha, pelo menos é o que asseguram. Na prostituição de elite é possível encontrar casais que fazem programas juntos. É o caso de Diana e Ricardo. Eles atendem homens, mulheres e casais. Segundo eles, não é difícil administrar a vida que escolheram. Os dois afirmam não ter ciúmes um do outro. ?Sabemos que é só sexo e temos certeza do amor que sentimos um pelo outro. Fazemos programa por opção e é uma forma de realizarmos as nossas fantasias e a dos outros. A fantasia mais comum é o homem querer ver sua mulher se relacionando com outra mulher?, explicou Diana. Ricardo contou uma experiência interessante ocorrida com eles. Ele disse que foi chamado por um empresário para fazer sexo com a mulher dele. ?O cliente não quis nem olhar para Diana e pediu que eu transasse com sua esposa enquanto ele observava e se masturbava?, disse. No levantamento realizado pela professora Cleonilse, ela conta que pesquisou o movimento em áreas comerciais de Maceió. A filósofa disse que percebeu comportamentos estranhos de homens com mais de 40 anos que freqüentam os café-bares. ?Soube, através de entrevistas que realizei com algumas garotas, que existe um book, com fotos de meninas pertencentes a famílias tradicionais da cidade, que fazem programa. Porém, é uma coisa muito restrita e eu não tive acesso. Mas percebi que algumas pessoas das lojas são responsáveis por fazer a ponte entre os homens de grande poder aquisitivo, interessados em algo diferente, e as meninas?, frisou Cleonilse. Segundo ela, essas pessoas geralmente são mulheres, que atuam como espécie de assessoras. ?Elas levam uma sacola até o interessado e dentro deve estar o book. Trata-se de algo muito discreto e só tem acesso a esse círculo fechado pessoas que já fazem parte do esquema e indicam outras de sua extrema confiança. Isso porque são meninas que possuem uma vida social, com namorado, pais conhecidos e não podem se expor?, completou a professora. Dupla atividade Karina é arquiteta e diz que namora um médico há três anos. Ele não sabe da sua atividade. ?De manhã sou outra pessoa e ninguém desconfia que faço programa. Costumo sair com algumas pessoas quando meu namorado está dando plantão no hospital em que trabalha. Faço isso porque estou acostumada com um padrão de vida que não posso manter sem me prostituir. Porém, só vou para a cama se for com a cara do pretendente. Não costumo sair com qualquer um. Seleciono muito bem meus parceiros para não ter perigo do meu namorado descobrir?, afirmou. Nanda faz parte de um famoso e misterioso book de fotos. Ela trabalha numa loja de grife e diz freqüentar um curso na universidade. Em uma de suas experiências, a garota revela que costuma sair com um empresário que possui várias lojas em Maceió e é proprietário de uma rede de hotéis em Recife. ?Ele gosta de sair comigo e umas amigas para filmar nossas transas, sem mostrar os rostos, é claro, somente o ato sexual. Essa é a fantasia dele. Eu confesso que gosto disso. Também já fiz programas com vários deputados e vereadores de Maceió?, confessou. Para a filósofa Cleonilse Nicácio, a mídia é a principal responsável pela introdução dessas garotas de classe média na prostituição. ?O maior interesse delas é o destaque social, roupas caras de grife e posses. A maioria não tem poder aquisitivo para realizar seus sonhos de consumo. Por isso, partem para a venda do corpo. Apesar de muitas não receberem dinheiro e sim presentes, a prostituição está caracterizada, pois permanece a troca de objetos pelo ato sexual?, esclareceu. Um empresário de destaque em Alagoas confessou que costuma procurar garotas de programa em busca do diferente. ?Procuro o que minha esposa não pode me dar. Atualmente eu saio com uma moça, mas não dou dinheiro para ela. Costumo agradá-la com vestidos caros, jóias e até um apartamento. É lá que nós nos encontramos?, disse o empresário.

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