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Interferência humana ainda desafia órgãos ambientais

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O zoneamento recifal é conhecido como um dos melhores instrumentos de conservação dos recifes de corais e aplicado em áreas marinhas ao longo de todo o mundo. E cita como exemplo a Grande Barreira de Corais (GBR) na Austrália, que demonstrou nas últimas décadas o sucesso de áreas fechadas e de zonas de visitação (onde apenas a atividade turística não predatória é permitida) na recuperação de populações de várias espécies marinhas e o aumento do estoque pesqueiro. No Brasil, a utilização desse instrumento ainda é bem recente e poucas unidades de conservação (UCs) implementaram as áreas fechadas e zonas de visitação até o momento. A APA Costa dos Corais é pioneira no processo de zoneamento recifal e na criação dessas áreas com o intuito de recuperação recifal. A primeira zona foi criada no município de Tamandaré, em 2002, e as demais áreas criadas foram, na sequência, a área fechada de Maragogi, implementada em 2013, e a mais recente, em Japaratinga, em 2016. ?A forma de ?seleção? dessas áreas ocorre de modo participativo, envolvendo a comunidade local, principalmente do setor pesqueiro ? que tem grande conhecimento sobre as recifais da APA Costa dos Corais. Além disso, uma equipe qualificada de mergulhadores e pesquisadores realiza expedições periódicas na área no âmbito da Revisão do Plano de Manejo (RPM) para avaliar a importância ecológica e o potencial de recuperação dessas das principais áreas recifais?, informa o analista ambiental do ICMBio [Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade], Eduardo Machado de Almeida, responsável pela gestão da APA Costa dos Corais. Essas zonas fechadas servem de parâmetro para monitoramentos com outras áreas que possuam ambientes semelhantes e usos diferenciados, além de preservar e garantir a evolução natural dos ambientes da unidade de conservação. O analista explicou que, nos últimos meses, foi aplicado um protocolo de monitoramento para essas zonas criadas mais recentemente. A proposta é verificar a eficiência dessas áreas na recuperação das populações de peixes recifais, corais e outros organismos. ?A ideia é que as áreas fechadas exportem biomassa, comportamento e até genética, servindo como refúgio para populações ameaçadas de extinção. Durante a implementação do protocolo, observou-se que a efetividade em recuperação recifal já está sendo evidente, mesmo com pouco tempo de criação?, avalia. Ele informou que, de maneira instantânea, percebeu-se que os peixes estão mais mansos e a aproximação com o pesquisadores ficou mais fácil para várias espécies de budiões e cirurgiões. Além disso, a cobertura de corais se mostrou superior nas áreas fechadas quando comparadas a áreas de visitação ou áreas sem ordenamento. ?O monitoramento recente dessas áreas tem demonstrado que a recuperação recifal na APA Costa dos Corais está se mostrando efetiva de acordo com o tempo de proteção das áreas, ou seja, a área protegida com mais tempo tem demonstrado resultados melhores. No entanto, é importante aguardar e monitorar periodicamente esses ecossistemas para observar as mudanças em escala temporal?, explica.

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