Cidades
Trabalho escravo ainda é realidade em Alagoas
Entre 2003 e 2018, 842 pessoas foram resgatadas do trabalho escravo e/ou degradante somente em Alagoas. Os dados são do Ministério Público do Trabalho (MPT) e mostram que o problema permanece no Estado. Em todo o Brasil, nos últimos 20 anos, 50 mil trabalhadores foram retirados de condições análogas à escravidão. As informações são alvo de debate no seminário ?130 anos de abolição: reflexões sobre o passado, o presente e o futuro do trabalho escravo no Brasil?, realizado pelo órgão em parceria com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e a Lux Outmídia. O objetivo é apresentar um panorama do problema. Além disso, também estão sendo discutidas ações contra o trabalho degradante e um resgate histórico da exploração e resistência dos negros no País. Para o procurador-chefe do MPT/AL, Rafael Gazanneo, o evento não é uma comemoração pela abolição, uma vez que a escravidão continua a ocorrer, vitimizando trabalhadores que dependem disso para sobreviver com o mínimo. ?O trabalho escravo é uma realidade em Alagoas, por isso não há o que celebrar, mas, sim, discutir, debater, refletir acerca do que mudou, da realidade atual e do que ainda precisa se modificar. É preciso mostrar que os negros que foram libertados ainda continuam ocupando os piores postos de trabalho e sendo a maioria nas carceragens. Portanto, precisamos de ações afirmativas para o resgate dos trabalhadores de forma que ascendam culturalmente e economicamente?, enfatiza.