Cidades
Greve dos caminhoneiros expõe caos e abandono das ferrovias
?Se as autoridades responsáveis pelos transportes tivessem investido na preservação da nossa malha ferroviária, o Brasil não estaria no caos causado pela greve dos caminhoneiros. Até o final da década de 1980, quase toda a produção nacional e o transporte de passageiros de longa distância ocorriam pelos trens. Inclusive, era mais barato. Caminhões de carga transportavam em curta distância?, lembra o microempresário José Vital, de 70 anos. Aposentado há 20 anos, ele trabalha com transporte de passageiros na própria van, que faz o percurso de 15 quilômetros entre os municípios de Branquinha e União dos Palmares. O preço da passagem é R$ 5. O lucro usa para complementar a renda da aposentadoria. Ele sabe que, se tivesse trem de passageiros no mesmo percurso como havia no passado, o preço do bilhete seria bem mais barato. O desabafo do seu Vital, que também apoiou a greve, faz sentido porque a paralisação dos caminhoneiros expôs a situação da malha ferroviária do País, que está sucateada. A de Alagoas foi abandonada pela empresa Transnordestina, que, com a extinção da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), ganhou a concorrência para recuperar a malha regional, construir 1,8 mil quilômetros de ferrovia e interligar o Porto de Pecém (CE) ao porto de Suape (PE). Depois de 10 anos, sobraram apenas 600 quilômetros de ferrovia. Já a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) anuncia investimentos na modernização da infraestrutura de 36 quilômetros de trilhos que atendem aos trens de passageiros de Maceió, que transportam, mensalmente, 270 mil pessoas, em média 15 mil passageiros/dia, de segunda a sábado. Atualmente, existem oito composições de VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos), um trem especial (composição com uma locomotiva e seis vagões antigos, conhecido como o trem do sururu), que transporta passageiros e pequenas mercadorias, mais duas locomotivas e uma locomotiva ?Maria Fumaça?. A CBTU promete mais investimentos, que possibilitarão o trem de passageiros ter outra estação no Maceió Shopping. O novo projeto conta hoje com 50% dos recursos, algo em torno de R$ 60 milhões.