Cidades
Governo federal deu prioridade a rodovias
No início de 1850, o imperador D. Pedro II modernizava o Brasil com a luz elétrica, telefonia e, quatro anos depois, importava da Inglaterra a tecnologia do transporte ferroviário. A partir daí, o País trocou o transporte de carga no lombo do burro pelo transporte nos trilhos dos trens. A economia cresceu e, junto com ela, a malha que interligava as regiões e promovia o crescimento das cidades com transportes de passageiros e de cargas. Em Alagoas, as grandes usinas construíram trechos próprios e tinham suas próprias locomotivas, a exemplo das usinas Serra, Utinga Leão, Bititinga, entre outras. Tudo começou a ser desarticulado no período JK (1956 e 61), para favorecer a indústria automobilística que chegava ao País. O Brasil abandonou a Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) e apostou no modelo de economia norte-americano ao incentivar o crescimento da indústria de automóveis de cargas e de passageiros. Assim, expandiu também as rodovias. Mas, até hoje, a manutenção das estradas não acompanha o crescimento do setor. No momento em que algumas pessoas infiltradas na greve dos caminhoneiros pedem a volta da intervenção (ditadura) militar no Brasil, é importante lembrar que no período dos governos militares ? 1964 a 1985 ? foi intensificado o processo de sucateamento da malha ferroviária e o processo de privatização do setor. Políticos e técnicos acusam o ex-ministro dos Transporte do governo militar Mário Andreazza (nos governos Costa e Silva e Médici) de ter jogado a ?pá de cal? na malha ferroviária nacional. Ele foi o responsável por grandes obras como a Ponte Rio-Niterói e a rodovia Transamazônica. Nesse período, em Alagoas, foi desativada a linha de Piranhas (no Alto Sertão) a Jatobá (PE), e toda a malha alagoana começa a se deteriorar.