Cidades
Violência contra idoso cresce em Alagoas
O ciclo natural da vida determina que a gente nasce, cresce e envelhece. Com o avanço da idade, chegam algumas limitações, sejam físicas ou mentais. A pele ganha rugas, a bagagem está repleta de experiências e a memória, por vezes, falha. Em uma fase em que todos deveriam receber ainda mais carinho, cuidado e proteção, alguns idosos acabam sofrendo diversos tipos de violência. O Estatuto do Idoso, Lei nº 10.741, que regula os direitos das pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, estabeleceu categorias das formas de manifestação da violência contra a pessoa idosa, que podem ser divididas em violência física, negligência/abandono, violência sexual, econômico-financeira e patrimonial, autoinfligida e autonegligência ou psicológica. Dados do IBGE apontam que a população brasileira ganhou mais de 4,8 milhões de idosos desde 2012, o que representa um crescimento de 18% desse grupo etário. Até 2020, a estimativa é que a população de idosos no País chegue a 25 milhões. Nesse contexto, destaca-se que, de 2011 até 2017, o Disque 100 da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) registrou mais de 33 mil denúncias de violações de direitos humanos contra as pessoas idosas. Em Alagoas, foram registrados 712 casos de violência contra a pessoa idosa só em 2017. Dados apontam que, dentre as denúncias registradas, mais de 36% são por negligência, mais de 23% por violência psicológica, mais de 26% por abuso financeiro e cerca de 10% tratam de violência física. O Estatuto do Idoso prevê punição de reclusão e multa para os crimes contra as pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. Em Maceió, além do Núcleo do Idoso da Defensoria Pública do Estado de Alagoas, há quatro delegacias especializadas no atendimento à pessoa idosa. As delegacias determinadas para esses tipos de casos são a do 4º (Pinheiro), 5º (Salvador Lyra), 6º (Cruz das Almas) e 8º (Benedito Bentes) Distritos Policiais da Capital. CONSCIENTIZAÇÃO Para auxiliar no enfrentamento à violência contra essa população, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa instituíram o dia 15 de junho para marcar o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa. Durante todo o mês, os órgãos de defesa dos Direitos Humanos se mobilizam na campanha ?Junho Violeta?, com o objetivo de produzir diversas ações para conscientizar a sociedade. Para o integrante do Conselho Municipal do Idoso de Maceió (CMI) e do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (CNDI) Crismédio Vieira, o grande desafio da pessoa idosa no Brasil e, em especial, em Alagoas, é fortalecer o vínculo familiar. ?Atualmente é nítida a dificuldade do idoso de se conectar com a família e a comunidade. Isso porque 80% dos casos de violência contra essas pessoas são praticados por parentes que estão próximos e até dentro de casa. Os laços afetivos estão longe de serem fortalecidos?, destaca. Crismédio Vieira explica que muitas pessoas ainda desconhecem o Estatuto do Idoso.