Cidades
Abandonados pelas famílias superlotam abrigos
O Estatuto do Idoso determina que pessoas com idade igual ou superior a 60 anos têm direito a moradia digna, no seio da família natural ou substituta, ou desacompanhado de seus familiares, quando assim o desejar, ou, ainda, em instituição pública ou privada. Crismédio Vieira chama a atenção para a quantidade de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), conhecidas como casas de repouso, abrigos ou asilos em Alagoas. Conforme pesquisa realizada pelo IBGE, o Estado conta com mais de 17 instituições e, para Crismédio, o número não consegue suprir a demanda em Alagoas. ?Temos muitos idosos, e eles estão indo para abrigos que vêm sofrendo com a superlotação e a falta de estrutura. Hoje em dia, parentes enxergam nessas residências de acolhimento a solução para não os deixarem sozinhos ou até mesmo para evitar estresses maiores. No entanto, acontece o inverso. Um crime. Eles os abandonam no primeiro lar que pesquisam, e isso é ruim para o idoso?, esclarece. A negligência é a omissão por familiares ou instituições responsáveis pelos cuidados básicos para o desenvolvimento físico, emocional e social do idoso, define o Estatuto do Idoso. O abandono é uma forma extrema de negligência. O Abrigo Feminino Luiza de Marillac, localizado no bairro de Bebedouro, em Maceió, está na ativa há quase 60 anos e acolhe cerca de 36 idosas. De acordo com a coordenadora administrativa do lar, Solange Araújo, o espaço está passando por uma reforma e até o final do ano pretende receber mais moradoras. No entanto, ela confessa que a ação traz algumas consequências, como a falta de verba para manter a qualidade de vida das moradoras, visto que, parte da aposentadoria não é o suficiente para os gastos diários e a reforma. ?Além dos benefícios delas, sobrevivemos através de doações e de um trabalho de telemarketing, em que funcionários do próprio abrigo ligam para as pessoas com o intuito de conseguir ajudas. Porém, é muito gasto com medicamentos, comida e produtos de higiene, além das despesas com água e energia elétrica?, conta Solange. A coordenadora explica que as idosas do Marillac não foram apenas vítimas de negligências. Muitas chegaram ao local por vontade própria, as vezes para ter espaço próprio. ?Na semana passada, uma idosa veio fazer uma visita e ficou encantada pelo local. Falou para filha que queria ficar e até me perguntou quando podia trazer as documentações. Isso mostra que muitas acham esse o lugar ideal para fechar seu ciclo de vida?, diz Solange. * Sob supervisão da editoria de Cidades.