Cidades
Mantida amea�a de suspens�o de partos
FÁTIMA ALMEIDA O atendimento a pacientes do Sistema Único da Saúde (SUS) está ficando dispendioso para as maternidades dos hospitais da rede privada. Os dirigentes reclamam que a cada parto realizado a instituição gasta, em média, R$ 221,17, mas o sistema só repassa R$ 90,00. Segundo o presidente do Sindicato dos Hospitais, Humberto Gomes, só existem duas saídas para a situação: o aumento do valor pago ou a suspensão do atendimento. Segundo dados do sindicato, a rede privada é responsável por 70% dos partos normais realizados em Maceió. Em torno dessa pauta, representantes dos hospitais se reuniram ontem pela manhã, na sede do Sindicato da categoria, com o secretário municipal da Saúde, Adeilson Loureiro. ?Esse problema é antigo. Tivemos duas reuniões recentes com o Conselho Regional de Medicina (CRM) e a questão da obstetrícia se confirmou como a situação mais crítica na área de Saúde. Houve um agravamento recente em Maceió, com o fechamento temporário da maternidade do Hospital do Açúcar, que vai passar seis meses em reformas. São 59 leitos a menos?, diz o presidente do Sindicato. Segundo ele, os dirigentes de hospitais têm consciência de que suspender o atendimento de partos seria o caos para a rede pública, mas alega que não dá para continuar operando no prejuízo. Humberto Gomes diz que o gestor municipal de saúde tem demonstrado sensibilidade, mas os apelos não surtiram efeito até agora. ?Na vigência do plano Real agora só tivemos dois reajustes, o primeiro, de 25%, concedido em 1995; o segundo, de 10%, em 2001. O ex-ministro José Serra tentou fazer com que as maternidades recebessem R$ 40 a mais por parto realizado, mas colocou empecilhos ao vincular o pagamento desse valor por gestante que fizesse pelo menos seis consultas de pré-natal e o purpério?. O secretário Adeilson Loureiro recebeu os dados dos custos operacionais e prometeu discutir o assunto com a Secretaria Executiva (estadual) e o Ministério da Saúde. Hoje ele participa, juntamente com representantes do Sindicato dos Hospitais, de uma reunião no CRM em busca de uma solução. ?Temos o maior interesse em encontrar soluções, porque se essas maternidades suspenderem o atendimento vai haver superlotação e caos nas maternidades de alto risco da rede pública?, diz o secretário.