Cidades
Campanha quer anular exploração infantil
Alagoas coleciona mais um indicador negativo, divulgado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), referente ao ano de 2015. Pelas ruas, feiras livres e até em casa, há cerca de 31 mil crianças trabalhando no Estado, uma situação ilegal que, muitas vezes, ocorre com a conivência da sociedade. Na tentativa de anular a exploração infantil e promover o acesso aos direitos básicos à criança, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT/AL) lançou, ontem, a campanha ?Não leve na brincadeira. Diga não ao trabalho infantil?. O número de crianças trabalhando no Estado ainda é alarmante, no entanto, o TRT afirma que as estatísticas têm diminuído ao longo dos últimos 15 anos. Antes disso, o Estado chegou a registrar mais de 100 mil crianças trabalhando ilegalmente. A campanha faz parte da programação do Dia Mundial do Combate ao Trabalho Infantil, que é lembrado em 12 de junho. Segundo a procuradora do trabalho Virgínia Ferreira, coordenadora do Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação Do Trabalho Infantil (Fetipat), o trabalho infantil ainda é um problema grande em Alagoas e em todo o Brasil. De acordo com ela, no Estado, as crianças estão principalmente no trabalho informal, pelas ruas, feiras e no trabalho doméstico, considerado um dos mais complexos de se combater. ?É um trabalho invisível. Não conseguimos entrar nas casas. Precisamos que seja denunciado ao Ministério Público do Trabalho, ao Ministério do Trabalho, ao Conselho Tutelar, que são os canais de denúncia, além do disque 100?, alerta Virgínia Ferreira. MISÉRIA A procuradora acrescenta que as pessoas precisam mudar a mentalidade de que ?é melhor aquela criança estar ali do que estar roubando ou se drogando?. ?A criança tem que ser protegida e não ter como alternativas, apenas, ir para a criminalidade ou trabalhar. Ela tem que ter a alternativa de ir para a escola, brincar, ter seu desenvolvimento pleno. Precisamos que cada um faça sua parte não explorando a mão de obra infantil e denunciando qualquer caso do tipo?. Segundo a juíza do Trabalho Kassandra Carvalho e Lima, que também é gestora Regional do Programa de Combate ao Trabalho Infantil e de estímulo à aprendizagem, o trabalho infantil perpetua o ciclo vicioso da miséria. * Sob supervisão da editoria de Cidades.