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Pescadores se unem em defesa do Tatuamunha

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Sexta-feira ensolarada no povoado de Tatuamunha, em Porto de Pedras, Litoral Norte de Alagoas. Por volta das 7h, o remador e pescador Antônio da Silva, 41 anos, já estava pronto para mais um dia. Em cima de uma jangada feita de madeira de cor branca desgastada, seguiu para o ?trabalho?, que há quatro anos vem lhe consagrando como o ?defensor das águas?. Mas ele não está sozinho. Uma verdadeira força-tarefa foi formada por moradores da região com o objetivo de minimizar os danos ambientais causados àquele que, por toda uma vida, serviu de fonte de renda e sobrevivência: o Rio Tatuamunha. Antônio olhava fixamente para os pontos do rio e do mangue. À medida que a embarcação navegava, um objeto boiando despertou sua atenção. Desconfiado do que poderia ser, o pescador esperou que a maré trouxesse para ele o que estava acostumado a ver todos os dias: uma garrafa plástica de óleo de cozinha. ?Como forma de acabar com o lixo que polui o rio e afeta a produtividade da pesca, reunimos uma equipe de pescadores em jangadas para começar os trabalhos: recolher resíduos como garrafa, sacolas e até carcaça de fogão. Essa ação, apesar de ser pouco conhecida, vem ajudando a diminuir a poluição das águas?, avalia o remador da Associação dos Condutores do Turismo de Observação do Peixe-Boi. BOCA DO RIO A foz do Tatuamunha é conhecida como ?Boca do Rio?, ambiente muito frequentado pelos turistas e moradores de Porto de Pedras. Por esse motivo, todo fim de semana são encontrados materiais deixados pelos visitantes, o que dá bastante trabalho para os pescadores. ?Logo cedo, às vezes antes dos passeios ecológicos começarem, subimos nas jangadas e saímos retirando tudo o que encontramos enganchado no mangue e boiando na água?, relatou. Gilvan Furtunato, 61 anos? ? ?mais conhecido como Cara Veia? ?, foi o pioneiro da ação que reúne atualmente 47 famílias que vivem da pesca e do turismo no Rio Tatuamunha. Pescador desde criança, as águas poluídas sempre fizeram parte da paisagem da região. Até que decidiu lutar contra a degradação do local. Durante entrevista, Cara Veia relatou que tudo teve início quando o lixo tomou o lugar dos peixes. ?Teve uma época que nem peixe tinha mais. Os bagres, tainhas, saúnas eram encontrados mortos ou até mesmo não vinham para o rio devido à poluição. Era lixo boiando e preso nas raízes dos manguezais. Em 2014, me juntei ao time de pescadores da Associação Peixe-Boi e desenvolvi, com eles, o que hoje vem ajudando toda a comunidade. Retiramos tudo de ruim do rio e, como recompensa, temos passeios que atraem diversos turistas e, claro, muito peixe?.

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